31 maio 2011

UMA HISTÓRIA DE “EX-ALUNO”


É isso mesmo, um ex-aluno. Na realidade eu sou ex-(um bocado de coisas), mas tenho boas e importantes razões para me apresentar como um ex-aluno.
Em primeiro lugar porque foi a maior autoridade que eu consegui ser. Aliás, uma autoridade tão grande que, depois disso, estou descendo até hoje, e ainda não consegui zerar.
Segundo porque as minhas pretenções anteriores eram bem mais modestas. Considerando o aperto financeiro familiar, consegui, aos 15 anos, uma promessa de emprego de balconista numa loja de tecidos do interior.
Meu Pai sugeriu que eu continuasse estudando. Aliás, Ele era uma pessoa tão boa que sempre preferia sugerir; evitava decidir por nós. Guardava sempre consigo a esperança de que entendêssemos a grandeza de suas sugestões.
Concordamos que eu faria exame para a Escola Preparatória de Cadetes de Fortaleza (EPF). Na realidade nem Ele, nem eu, sabíamos muito bem de que se tratava, mas como a procura era muito grande, devia ser bom. Nessa época, tanto Ele como eu, éramos pessoas humildes por natureza, e também por necessidade.
O salto foi muito grande, ja pensaram? De pretendente a balconista a aluno da EPF? Uma tremenda mudança de “status”, apesar do trote e da alcunha de “animal”.
Lembro-me muito bem do Juramento à Bandeira/ Noite de São Bartolomeu. Pela bela festa que tivemos, e também, pelo fim do período de trotes. Entrei no Náutico com u’a madrinha muito bonita, cheio de saúde e de “importância”, apesar de liso. Nessa noite eu conclui que aluno era quase um rei, mais ou menos por aí.
O segundo e terceiro anos foram de intensa realização: um bom curso, muita saude, bons amigos e bonitas namoradas. Continuei sendo quase um rei, mais ou menos por ai.
Encheram um avião de “aratacas” em direção ao Rio de Janeiro, e la fui eu em minha primeira viagem de avião.
Na AMAN descobri logo que cadete era menos do que aluno. Assim sendo, ja tinha começado a descer. Foi ai que eu descobri que manobra e ordem unida não eram o meu forte. Nossa manobra do fim do básico foi tão desastrosa que passei muito tempo sem entender porque não tinha terminado todo mundo preso.
Não fiquei preso, mas continuei na AMAN durante o período de férias. Era uma formatura de meia dúzia de cadetes na imensidão do pátio Tenente Moura.
“Não tenho dinheiro para a passagem” , foi o que eu disse para o Ajudante de Ordem que, por sua vez, informou ao General que, por sua vez, fez um bilhete para o Brigadeiro que, por sua vez, me arranjou uma vaga num avião do CAN.
Peguei uma carona de caminhão no trecho Resende-Rio e um ônibus urbano para a Ilha do Governador – único trecho pago na viagem. Passei a noite sentado e fardado no Galeão ouvindo chamar os vôos para Londres, New York, Paris. Finalmente, lá pelas 06:30H da manhã, chamaram o meu: Vitória, Caravelas, Ilhéus, Xique-xique, Bom Jesus da Lapa, Petrolina, Juazeiro do Norte.... Foi ai que eu peguei o boné e desci. Consegui outra carona para o Crato – Capital do Mundo.
Nos três anos de Resende, não passei frio porquê, além da farda, sempre contei com a boa vontade, e os agasalhos dos colegas, principalmente Granato e Miranda. 
Escolhemos a pior época para terminar – Dezembro de 1963. Eu, particularmente, além da época, errei o lugar, fiquei no Rio de Janeiro, ou melhor, na Vila Militar. Cheguei em Fevereiro, entrei de prontidão, saí no fim do ano, a prontidão continuava. Onde se parava, dormia-se. “Tirei uma tremenda tora” no Maracanã, tentando assistir Santos X Flamengo; acordava a cada gol.
Fiquei 12 anos porque gostei da área que escolhi – Comunicações, onde permaneço até hoje. Fiz alguns cursos na área, inclusive um nos “States”, onde estudei bastante, tentando fazer bonito. Na volta, não houve interesse pelo resultado, que só os mais próximos souberam.
Aproveitei as horas vagas para arranjar uma namorada Húngara. Ao final do curso, Ela se livrou de mim, e eu d’Ela.
Em Março de 1970, o Exército perdia um de seus filhos menos ilustres. Deixei o E.B., mas continuei na área; entrei na Embratel, onde a tecnologia é fundamental. Ali, e por essa razão, fiz vários cursos, inclusive um no Japão onde tive que fazer um tremendo esforço para arrancar, em doses homeopáticas, um pouco do muito que o Japonês sabia.
Praticamente Top-ei, ou seja, cheguei ao topo. Não da hierarquia, nem muito menos do conhecimento, mas da minha resistência.
As coisas mudaram tanto que eu me sinto, novamente, bem próximo da origem, e continuo descendo. Já não sou humilde por necessidade, sou humilde por convicção. Tenho apenas saudades do tempo em que era aluno – quase um Rei, mais ou menos por aí.
José Hermano Bezerra de Brito.

UMA HISTÓRIA DE “EX-ALUNO”


É isso mesmo, um ex-aluno. Na realidade eu sou ex-(um bocado de coisas), mas tenho boas e importantes razões para me apresentar como um ex-aluno.
Em primeiro lugar porque foi a maior autoridade que eu consegui ser. Aliás, uma autoridade tão grande que, depois disso, estou descendo até hoje, e ainda não consegui zerar.
Segundo porque as minhas pretenções anteriores eram bem mais modestas. Considerando o aperto financeiro familiar, consegui, aos 15 anos, uma promessa de emprego de balconista numa loja de tecidos do interior.
Meu Pai sugeriu que eu continuasse estudando. Aliás, Ele era uma pessoa tão boa que sempre preferia sugerir; evitava decidir por nós. Guardava sempre consigo a esperança de que entendêssemos a grandeza de suas sugestões.
Concordamos que eu faria exame para a Escola Preparatória de Cadetes de Fortaleza (EPF). Na realidade nem Ele, nem eu, sabíamos muito bem de que se tratava, mas como a procura era muito grande, devia ser bom. Nessa época, tanto Ele como eu, éramos pessoas humildes por natureza, e também por necessidade.
O salto foi muito grande, ja pensaram? De pretendente a balconista a aluno da EPF? Uma tremenda mudança de “status”, apesar do trote e da alcunha de “animal”.
Lembro-me muito bem do Juramento à Bandeira/ Noite de São Bartolomeu. Pela bela festa que tivemos, e também, pelo fim do período de trotes. Entrei no Náutico com u’a madrinha muito bonita, cheio de saúde e de “importância”, apesar de liso. Nessa noite eu conclui que aluno era quase um rei, mais ou menos por aí.
O segundo e terceiro anos foram de intensa realização: um bom curso, muita saude, bons amigos e bonitas namoradas. Continuei sendo quase um rei, mais ou menos por ai.
Encheram um avião de “aratacas” em direção ao Rio de Janeiro, e la fui eu em minha primeira viagem de avião.
Na AMAN descobri logo que cadete era menos do que aluno. Assim sendo, ja tinha começado a descer. Foi ai que eu descobri que manobra e ordem unida não eram o meu forte. Nossa manobra do fim do básico foi tão desastrosa que passei muito tempo sem entender porque não tinha terminado todo mundo preso.
Não fiquei preso, mas continuei na AMAN durante o período de férias. Era uma formatura de meia dúzia de cadetes na imensidão do pátio Tenente Moura.
“Não tenho dinheiro para a passagem” , foi o que eu disse para o Ajudante de Ordem que, por sua vez, informou ao General que, por sua vez, fez um bilhete para o Brigadeiro que, por sua vez, me arranjou uma vaga num avião do CAN.
Peguei uma carona de caminhão no trecho Resende-Rio e um ônibus urbano para a Ilha do Governador – único trecho pago na viagem. Passei a noite sentado e fardado no Galeão ouvindo chamar os vôos para Londres, New York, Paris. Finalmente, lá pelas 06:30H da manhã, chamaram o meu: Vitória, Caravelas, Ilhéus, Xique-xique, Bom Jesus da Lapa, Petrolina, Juazeiro do Norte.... Foi ai que eu peguei o boné e desci. Consegui outra carona para o Crato – Capital do Mundo.
Nos três anos de Resende, não passei frio porquê, além da farda, sempre contei com a boa vontade, e os agasalhos dos colegas, principalmente Granato e Miranda. 
Escolhemos a pior época para terminar – Dezembro de 1963. Eu, particularmente, além da época, errei o lugar, fiquei no Rio de Janeiro, ou melhor, na Vila Militar. Cheguei em Fevereiro, entrei de prontidão, saí no fim do ano, a prontidão continuava. Onde se parava, dormia-se. “Tirei uma tremenda tora” no Maracanã, tentando assistir Santos X Flamengo; acordava a cada gol.
Fiquei 12 anos porque gostei da área que escolhi – Comunicações, onde permaneço até hoje. Fiz alguns cursos na área, inclusive um nos “States”, onde estudei bastante, tentando fazer bonito. Na volta, não houve interesse pelo resultado, que só os mais próximos souberam.
Aproveitei as horas vagas para arranjar uma namorada Húngara. Ao final do curso, Ela se livrou de mim, e eu d’Ela.
Em Março de 1970, o Exército perdia um de seus filhos menos ilustres. Deixei o E.B., mas continuei na área; entrei na Embratel, onde a tecnologia é fundamental. Ali, e por essa razão, fiz vários cursos, inclusive um no Japão onde tive que fazer um tremendo esforço para arrancar, em doses homeopáticas, um pouco do muito que o Japonês sabia.
Praticamente Top-ei, ou seja, cheguei ao topo. Não da hierarquia, nem muito menos do conhecimento, mas da minha resistência.
As coisas mudaram tanto que eu me sinto, novamente, bem próximo da origem, e continuo descendo. Já não sou humilde por necessidade, sou humilde por convicção. Tenho apenas saudades do tempo em que era aluno – quase um Rei, mais ou menos por aí.
José Hermano Bezerra de Brito.

30 maio 2011

   FORTIFICANTES.
Um amigo de idade avançada andava um pouco desanimado e já com alguma dificuldade na parte sexual. Consultou um médico amigo que, preocupado com o seu desânimo, recomendou alguns “fortificantes”.
Após um mês eu, que sempre tive com ele um relacionamento de extrema confiança, lhe perguntei se os remédios tinham dado bom resultado. Ele me respondeu:
-“Até agora, o mais que eu consegui, foi chamar a mulher de querida.”
OUTRA SOLUÇÃO.
Outro amigo na mesma faixa de idade, ao invés de procurar médico amigo, adotou solução própria e acabou sendo motivo da inveja de um seu conhecido. Esse sim, terminou apelando para um médico.
-“O problema é o seguinte doutor: eu sou da mesma idade de Fulano. (Essa idade é perigosa). Não consigo mais nada e ele, pelo que diz, tá que parece um rapazinho. Queria ver se o senhor não tem uma solução para o meu caso.”
O médico mui sabiamente respondeu: “só temos duas soluções: ou o Senhor se aquieta, ou começa a mentir igual a ele.”
   FORTIFICANTES.
Um amigo de idade avançada andava um pouco desanimado e já com alguma dificuldade na parte sexual. Consultou um médico amigo que, preocupado com o seu desânimo, recomendou alguns “fortificantes”.
Após um mês eu, que sempre tive com ele um relacionamento de extrema confiança, lhe perguntei se os remédios tinham dado bom resultado. Ele me respondeu:
-“Até agora, o mais que eu consegui, foi chamar a mulher de querida.”
OUTRA SOLUÇÃO.
Outro amigo na mesma faixa de idade, ao invés de procurar médico amigo, adotou solução própria e acabou sendo motivo da inveja de um seu conhecido. Esse sim, terminou apelando para um médico.
-“O problema é o seguinte doutor: eu sou da mesma idade de Fulano. (Essa idade é perigosa). Não consigo mais nada e ele, pelo que diz, tá que parece um rapazinho. Queria ver se o senhor não tem uma solução para o meu caso.”
O médico mui sabiamente respondeu: “só temos duas soluções: ou o Senhor se aquieta, ou começa a mentir igual a ele.”

29 maio 2011

Só prá matar a saudade!
 Este vídeo recebi de Gloria por e-mail e achei oportuno  publicar aqui como um presente aos saudosistas e admiradores da boa música. Ele nos  remete ao passado e com saudade de tudo que vivemos naquela época.
video
Só prá matar a saudade!
 Este vídeo recebi de Gloria por e-mail e achei oportuno  publicar aqui como um presente aos saudosistas e admiradores da boa música. Ele nos  remete ao passado e com saudade de tudo que vivemos naquela época.

21 maio 2011

A BAILARINA E OS INSANOS

Nize dançava e dançava. De todas as formas, de todos os jeitos. Dançava todos os passos e era uma alegria só. Cada compasso lhe trazia um alargar de sorriso como que a desafiar todos aqueles que a julgavam insana. Nize, calada, apenas dançava. E ria. A paz estava em seus pés, a alegria em seus passos, em seu sorriso, em sua alma. Seu dançar, contradizendo a lógica, era como um chamamento a um duelo, a uma derradeira e fatal disputa, entre ela, a que dançava, e todos aqueles que não escutavam a música. Enquanto isso, Nize dançava e dançava. E ria sem se importar. Os insanos apenas olhavam e nada ouviam.
Xico Bizerra
A BAILARINA E OS INSANOS

Nize dançava e dançava. De todas as formas, de todos os jeitos. Dançava todos os passos e era uma alegria só. Cada compasso lhe trazia um alargar de sorriso como que a desafiar todos aqueles que a julgavam insana. Nize, calada, apenas dançava. E ria. A paz estava em seus pés, a alegria em seus passos, em seu sorriso, em sua alma. Seu dançar, contradizendo a lógica, era como um chamamento a um duelo, a uma derradeira e fatal disputa, entre ela, a que dançava, e todos aqueles que não escutavam a música. Enquanto isso, Nize dançava e dançava. E ria sem se importar. Os insanos apenas olhavam e nada ouviam.
Xico Bizerra

08 maio 2011

Obrigada meu Deus por poder dividir mais um dia de minha vida  com minha MÃE
Parabens a todas as Mães
08 de Maio de 2011
Obrigada meu Deus por poder dividir mais um dia de minha vida  com minha MÃE
Parabens a todas as Mães
08 de Maio de 2011
 
VOVÔ MANO EU TE AMO MUITO!
PARABENS NESTE 08 DE MAIO DE 2011
 
VOVÔ MANO EU TE AMO MUITO!
PARABENS NESTE 08 DE MAIO DE 2011

07 maio 2011

ESTÓRIAS DE TIA DONINHA


A Purificação
Maria Carvalho Tia Doninha, era a filha mais nova dos meus bisavós paternos. Certa vez, quando ela fazia uma visita a seus parentes, os Cruz Neves, que moravam no Sítio Saco, àquela época município de Jardim, Doninha que era um pouco “avexadinha” em lá chegando, deparou-se com um morador do sítio bastante enfermo e porque não estava recebendo o asseio devido, exalava um mau cheiro de fazer dó. Então, ela diagnosticou que a pessoa estava doente porque não tomava banho. Providenciou logo um cozimento de tudo que era meizinha e contra a vontade de todos,  partiu pra lavação. Depois que ela purificou o corpo enfermo, ali mesmo no lavatório ele exalou o último suspiro, sob os olhares atônitos dos parentes.
Protestos em geral!
- Doninha, você matou o home!
- Éee, mas morreu limpo!!!

***********
O Vestido Apertado
Doninha numa de suas andanças pelo Crato, foi à casa de sua prima Sila Brito e pediu que fizesse um vestido para ela. Na hora da prova o decote ficou um pouco apertado e não deu pra vestir por causa de seu cocó que era meio grande. Não teve conversa, mais que de pressa pediu uma tesoura.


 - Pra que Doninha?

 Perguntou Sila assustada.
- Deixe por minha conta e não pergunte mais. Você vai ver!
E de uma tesourada só o coque caiu no chão.



Escrita por José Ronald Brito


ESTÓRIAS DE TIA DONINHA


A Purificação
Maria Carvalho Tia Doninha, era a filha mais nova dos meus bisavós paternos. Certa vez, quando ela fazia uma visita a seus parentes, os Cruz Neves, que moravam no Sítio Saco, àquela época município de Jardim, Doninha que era um pouco “avexadinha” em lá chegando, deparou-se com um morador do sítio bastante enfermo e porque não estava recebendo o asseio devido, exalava um mau cheiro de fazer dó. Então, ela diagnosticou que a pessoa estava doente porque não tomava banho. Providenciou logo um cozimento de tudo que era meizinha e contra a vontade de todos,  partiu pra lavação. Depois que ela purificou o corpo enfermo, ali mesmo no lavatório ele exalou o último suspiro, sob os olhares atônitos dos parentes.
Protestos em geral!
- Doninha, você matou o home!
- Éee, mas morreu limpo!!!

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O Vestido Apertado
Doninha numa de suas andanças pelo Crato, foi à casa de sua prima Sila Brito e pediu que fizesse um vestido para ela. Na hora da prova o decote ficou um pouco apertado e não deu pra vestir por causa de seu cocó que era meio grande. Não teve conversa, mais que de pressa pediu uma tesoura.


 - Pra que Doninha?

 Perguntou Sila assustada.
- Deixe por minha conta e não pergunte mais. Você vai ver!
E de uma tesourada só o coque caiu no chão.



Escrita por José Ronald Brito