Quem é Quem

José Teixeira Matos ( Zé da Clara ou simplesmente Zé)
Gente,  pode parecer inacreditável, mas o Zé da Clara existe.  Existe e  mora na Fazenda Lagoa dos Patos, propriedade do nosso primo  José Ronald Brito, no Município de Morada Nova. Chama-se José Teixeira Matos  e é mais conhecido como ZÉ; assim vamos chamá-lo.
É extremamente desinibido. De presidente  ou governador aos seus colegas de fazenda, t rata todo mundo pelo nome, quando não por algum apelido, por ele colocado, e nem sempre bem aceito. Nada de “Seu Fulano”; nada de “Doutor Sicrano”.  Vai logo na intimidade.  Talvez a única exceção seja para o patrão que ele chama de coronel (as vezes).
Sabe tudo sobre quase tudo, mas seu assunto preferido  é a  política.  Candidato que não se elegeu é porque não seguiu sua opinião. E só se sai bem na função se agir de acordo com suas orientações.
Não suporta ouvir uma roda de conversas  sem a sua participação.  Basta um momento de silêncio;  entra com a sua opinião sobre o assunto, nem sempre muito feliz.
 Assiste muito programa deTV através de uma parabólica que foi instalada  pelo patrão.
Tem boa memória  e nenhum estudo; conta tudo  à  sua maneira (nem sempre correta).
Vamos contar algumas de suas estórias respeitaando,  ao máximo,  o seu linguajar.
(Estórias escritas por José Hermano Brito)

Napoleão Tavares Neves

Nascimento: 17 de Setembro de 1930.
Naturalidade: Jardim – Ceará, sítio Belo Horizonte.
Parteiro: Dr. Pio Sampaio.
Filiação: Joaquim Pereira Neves e Maria Tavares Neves, ele mistura de Neves do Jardim e Pereira do Pajeú, Serra Talhada; ela, mistura de Miranda e Tavares, de Porteiras.
Aos 8 meses, meus pais assumiram a direção do sítio Saco, de Porteiras, a convite de seu sogro, Manoel Tavares Rosendo, de onde nunca mais saíram.
Fiz as primeiras letras com uma tia Materna, Donzinha Miranda Tavares, lá no sítio Saco mesmo; fiz todo o Curso Primário, hoje Curso Fundamental, com uma tia paterrna, Beatriz Neves, em Jardim.
Fiz o ginásio no antigo Ginásio do Crato, o Curso Científico no Colégio São João, de Fortaleza, o Pré-vestibular no Colégio São Salvador, de Salvador, Bahia e o Curso de Medicina na Faculdade de Ciências Médicas do Recife, colando grau no dia 6 de dezembro de 1958. Nunca fui aluno brilhante, mas aluno responsável. Nunca fui inteligente, mas sempre tive uma inteligência prática.
Cheguei em Barbalha como médico no dia 10 de Setembro de 1959 e nunca mais sai daqui. Fui médico e ainda sou, do Hospital – Maternidade São Vicente de Paulo, de Barbalha, hospital filantrópico dirigido por freiras Beneditinas. Fui sócio fundador da Casa de saúde Santo Inácio, de Juazeiro do Norte e da Casa de Saúde São Miguel, do Crato. Fui Diretor do Hospital – Maternidade São Vicente de Paulo por três vezes e da Casa de saúde santo Inácio, de Juazeiro. Nomeado em 1960 como Médico do SAMDÚ, de Juazeiro, ali fiquei por 33 anos até aposentar-me pela Previd6encia Social, como Médico. Fui chefe por 10 anos do Posto de Saúde Dr. Leào Sampaio, de Barbalha, pelo Estado e da Legião Brasileira de Assistência, renunciando a ambos para não acumular.
Posteriormente, fui chefe do Posto do SAMDÚ de Juazeiro, por 10 anos dirigindo 25 Médicos e renunciei.
Depois, fui Chefe de Medicina Social do INPS de Juazeiro que também renunciei porque nunca soube mandar!
Hoje sou ambulatorista do Hospital – Maternidade São Vicente de Paulo, ganhando por produção, e sem vínculo empregatício.
Ainda trabalhei por oito anos no Programa de saúde da Família pela Prefeitura de Barbalha, fazendo 60 mil consultas médicas em oito anos, Record barbalhense, caririense, cearense e nacional! Por que? Apenas por vocação para o trabalho Médico que sempre me encantou!
Casei-me com uma parenta também Jardinense, Maria do Socorro Sampaio Neves e tivemos 3 filhas: Jácia, Miria e Raissa, todas Médicas e casadas com Médicos que já me deram 7 netos, encantos da minha velhice!
Eis o que sou.
Napoleão Tavares Neves
Assinado em baixo.
NAIANA BEZERRA DE BRITO
"... Sou o que quero ser, porque possuo apenas uma vida e nela só tenho uma chance de fazer o que quero. Tenho felicidade o bastante para fazê-la doce, dificuldades para fazê-la forte, tristeza para fazê-la humana e esperança suficiente para fazê-la feliz. As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas. Elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos..." ( Clarice Lispector )


José Ronald Brito
Nasceu na cidade do Crato CE no dia 13 de dezembro de 1938, Em sua terra completou o ensino fundamental; o segundo grau no Colégio Salesiano de Juazeiro do Norte e no Liceu do Ceará em Fortaleza. O nível superior cursou na Faculdade de Filosofia do Ceará, também em Fortaleza.
Ingressou na Academia de Polícia Militar em 1958 de onde saiu Aspirante a Oficial Bombeiro Militar.
Na sua trajetória como militar galgou todas as funções inerentes a su aespecialidade,comandou tambem o batalhão de transito e foi secretario chefe da casa militar em dois governos:Adauto Bezerra e Waldemar de Alcantara.
No mundo civil foi diretor do Detran Ceará, membro do Conselho Estadual de transito e professor na Universidede Estadual do Ceará.
Em 1999, já aposentado, resoveu escrever o livro "Um Relato Familiar" e nunca mais parou, sempre abordando temas de "causos e contos". Seguiram os volumes: Nas Brumas do Tempo, O Vale Aprazível, Um Esto Regional, Aqui, Ali ...Além e Aquem deste Século.
Agora, nosso autor faz seu ingresso no mundo encantado da ficção nos brindando com este romance rural-urbano "Sitonho" e nos deixando cientes de que não será o útimo.
Obs.: Texto escrito por Ronald Filho, na apresentação do útimo livro "Sitonho".
Seu Lunga
Seu Lunga é um personagem tão folclórico que ninguém acredita na sua existência real. Mas, ele existe. Trata-se do velho, porém, cheio de energia, mais conhecido da cidade de Juazeiro do Norte, no interior do Ceará (terra de  Padre Cícero). Mas, se o homem existe por um lado, o mito em torno dele existe por outro e por todo o Nordeste surgem as mais originais e engraçadas estórias atribuídas a ele. Tudo por conta da sua personalidade de velho carrancudo, malcriado e estupidamente irônico.
SEU DEUSIM.
Amadeu Carvalho Brito – (1911-1989)
Cearense, filho do Cariri, Padim Amadeu ou Tí Deusim, como era chamado pelos sobrinhos era uma pessoa simples,
alegre, agradável e extrovertido. Sempre a mesma pessoa em qualquer ambiente, desde o mais íntimo, como em família ou na presença de autoridades, inclusive do Governador do Estado, um dos quais lhe dedicou atenciosa e cordial amizade.
Tinha excelente memória. Não contava piadas, não gostava de pornografias. Contava estórias que recolhia no contato diário com o povo simples do interior.
Era naturalmente engraçado, tinha sempre novas estórias a contar, mas podia se dar ao luxo de repetir estórias antigas. Em qualquer ambiente por onde andou (Cariri,Fortaleza, Recife, Rio de Janeiro) a cena sempre se repetia: pouco tempo após o encontro, estava todo mundo rindo; gostosamente rindo.
Grande parte de suas estórias está publicada em livros de seu filho José Ronald Brito, também dono de excelente memória. Fizemos aqui um pequeno e despretencioso resumo de alguns de seus causos para publicar no blog Além do Horizonte de minha autoria(cacainha-cacainha.blogspot.com). Se conseguirmos fazê-los rir, atingimos nosso objetivo; como Ele os fazia.

Sergio Lustosa da Costa Brito
________ Deus num momento de inspiração criou o Universo! E ELE, em outro momento não menos inspirado me concedeu a VIDA... Me dizendo a seguinte frase:
............ Serjão, vai lá embaixo e Bota-Pra-QUEBRAR!!!
.............Quem sou eu prá desobedecer-LO.
E cá estou eu.
AGORA VIDA NOVA NA AUSTRALIA!!!

Leonardo Gomes Bezerra  
Nasci na cidade de Crato-CE e tive uma infância onde podia brincar na rua com bastante liberdade e a única obrigação era voltar pra casa antes do anoitecer. A rua era uma extensão da casa.
Lembro que, quando criança, certa vez interrompi o fornecimento de gás na cidade do Crato. Explicando melhor: Eu estava com minha inseparável baladeira, brincando na rua, quando uma velha picape chevrolet, que fazia venda de botijões de gás butano pela cidade, ao passar por mim, disparei uma pedra na porta do carro, fazendo um grande barulho. O motorista parou o carro freando bruscamente, desceu e veio examinar a porta. Fiquei paralisado de medo e senti o mijo escorrendo pelas minhas pernas, encharcando minhas “apragatas” (sandálias). Graças a Deus que o homem deixou por menos e continuou seu trabalho e eu nunca mais atirei pedras em carros.
Estudei no Grupo Escolar José Alves de Figueiredo, onde fiz o primário, e no Colégio Diocesano, onde fiz o ginásio.
Na adolescência era muito religioso e sempre ia à missa aos domingos, caso faltasse, no domingo seguinte eu assistia a duas missas, para compensar.
Aos 16 anos mudei-me para Fortaleza com toda a minha família. Nessa época fui convidado pelo meu tio Raimundo Bezerra, para trabalhar na Brito & Brito e alguns anos depois ele me levou para a Dataprev, onde estou até hoje. Na Dataprev conheci Dídia, com quem me casei e temos duas filhas, Lara e Marina.
Estudei no Liceu do Ceará e no Farias Brito, concluindo o Científico. Sempre fui “cobra” nos estudos, ou seja, só passava de ano “rastejando”, mesmo assim consegui concluir a faculdade de Administração de Empresas e uma pós-graduação em Informática.
Beirando meio século de existência, tenho como minha missão pessoal a busca pelo autoconhecimento e desenvolvimento espiritual. Acredito em um sentido maior da vida, onde nada acontece por acaso, ou se for assim, o acaso é uma inteligência superior com a qual me sinto completamente conectado.
Sou um otimista por natureza, exceto nos momentos em que estou pessimista e acredito que tirando os momentos ruins, a vida é maravilhosa.
Emanuel Bezerra de Brito (ebbrito)
Pois é,

Não sei bem se nasci, se apareci, se brotei ou, sei lá o que, só sei é que lá por casa o pessoal quando queria me azucrinar as idéias, dizia que só fui ser batizado 2 anos depois de haver, digamos assim, “rebentado”.
Até dois anos parecia que era só cabeça.
Passados cerca de dois anos, o Dr. foi chamado lá em casa e depois de muito examinar sentenciou:
- Pode batizar, é gente mesmo.

Aí, começou mais um problema.
Minha mãe queria me botar o nome de Manuel, em homenagem ao seu pai: Manuel Vieira.
Ele não concordou porque dizia que “todo Manuel vira Mané e todo Mané, é besta”.
Pra contornar a situação, minha mãe, “engenhosamente”, sugeriu que fosse então: EMANUEL pois, a homenagem seria feita e o nome de Mané ficaria “camuflado”.
Manuel Vieira discordou.
- É pior ainda.
- E-manuel, ou seja, É-besta

Isso foi lá pelas bandas do Crato, no cariri cearense e já faz um bom tempo.
Quanto tempo? Deixa pra lá. Vamos mudar de assunto.
-“Foi Manéu ou Tão”
Me irritar mais que essa frase, só mesmo essa outra:
- “Volte e vá fechar a porteira”.
Vamos às explicações:

Tão era um tio da minha mãe que morava lá em casa e passava o dia fazendo palitos de dentes e cuja produção, distribuía com a família.
O canivete que Tão usava para fazer os palitos, quase todo dia ele perdia.
Perdia e fazia logo uma promessa ... Que nunca pagava.
Se achasse o canivete, ele dizia:
- Já achei, pra que que eu vou pagar!!!!
- Da próxima vez faço a promessa com outro santo.
Ele dizia que na corte celeste tinha muito santo querendo mostrar serviço.
Se não achasse,
–Por que; pagar adiantado??? Não pago!!!

Acho que Tão foi o primeiro “psicodélico” ( acho que os psicodélicos antecederam os ripes) que conheci, muito embora fosse um psicodélico “comportado”, não muito “colorido”, digamos assim.

Pois bem, tudo de desmantelado que aparecia lá em casa de autoria desconhecida, vinha logo a sentença:

FOI MANÉU OU TÃO !!!!!
Ele, Tão, ficava era feliz com a lembrança do nome dele, ele se divertia, ele achava graça mas eu, eu ficava irritadíssimo.

E, por falar em irritado, o meu avô Manuel Vieira gostava de me testar os nervos, me ver irritado. Ele sentava numa cadeira de balanço lá na porta de casa e quando nós, os irmãos, entrávamos em “tropel” porteira a dentro, na disputa pra ver quem chegava primeiro ao banheiro eu, o menor, ficava sempre por último e ele me agarrava pelo braço e mandava:
- Volte e vá fechar a porteira .
E eu voltava quase sempre chorando pra fechar a bendita da porteira.
Num sei porque eu num fechava logo a “bixiga” daquela porteira, antes de percorrer todo o espaço entre ela e a cadeira de meu avô!!!!

Não sei bem se me orgulho de ter nascido no Crato, aliás, não sei porque as pessoas se orgulham de ser de algum lugar.
Alguém tem que ser de algum lugar, né não????
Bom, já que não tenho orgulho, pelo menos posso dizer que foi no Crato que tive os melhores professores, incluindo aí o primeiro, o segundo e o terceiro graus.

Porém, foi no Crato também que aprendi a ter medo, medo que só agora, depois de véi é que estou conseguindo superar.
Alguns padres me deixavam em pânico, com a certeza de que já estava no inferno.
Incutiam na cabeça da gente, que a coisa mais difícil do mundo, impossível mesmo, era ser amigo de Deus.
Os caminhos mais “espinhosos” eram os caminhos para Deus.
Uma missa do Pe. Geraldo era muito mais “tenebrosa” que um filme de terror.
Eu saía da missa com a mais absoluta certeza que não tinha mais salvação !!!
Medos à parte, vamos em frente...

Não sei dizer ao certo, se sou pernambucano do Crato, papa jerimun de Pernambuco ou, Cratense de Natal.
Só sei é que são vinte anos pra cada, com uns “entremeios” de cinco anos de Rio de Janeiro e mais uns cinco anos de Fortaleza, isso para ajudar no “tempero” e “fazimento” do cabôclo que hoje sou.
E tenho dito.
 Marcos Aires de Brito
Nasci no Sertão da Paraíba, fui aluno de minha mãe a Profa. Dona Zita, até a segunda série primária, numa Escola Isolada em Pilões / PB. Nessa época fui colega de turma de Cacaínha, Tânia, Sérgio e Maroto, um papagaio que vivendo solto insistia em acompanhar as aulas da Dona Zita. Para conseguir manter a ordem na turma e garantir a aprendizagem dos seus alunos(as), a versátil professora, que até hoje não foi superada pelas mais modernas tecnologias de ensino-aprendizagem, ministrava simultaneamente 6 classes (alfabetização, primeiro ano fraco, primeiro ano forte, segundo ano, terceiro ano, quarto ano) e  quando era necessário, sendo costume na época, por vezes botava aluno(a) de castigo (de joelho, em uma rampinha e em cima de grãos de milho, no interior da sala de aulas). Todos éramos felizes e realmente aprendemos as lições da serena Profa. Zita.

Chegando ao Açude de Cedro, em Quixadá / CE e após escalar todas os monólitos circunvizinhos daquele centenário açude, incluindo a imponente "Pedra Faladeira" e a impressionante "Pedra da Galinha Choca" (essa somente até a metade, pois Badé descobriu a minha façanha e me proibiu de completar a escalada), acompanhando a família me mudei para Fortaleza.
Acostumado a tomar banho de água doce (em açude, em cachoeira e/ou em rio, quando chovia no sertão), a jogar bola com os pés descalços em campo de terra e com um jeito de matuto tive problemas de me adaptar a grande capital, pois no mar a água era muito salgada, as quadras eram de cimento e assim, tratei de estudar e de me formar como professor licenciado e como Bacharel em Química (1975) pela UFC.
O interesse em ser professor se deveu a minha vontade em aperfeiçoar as metodologias de ensino-aprendizagem praticadas pela minha mãe professora enquanto que o meu interesse pela Química teve vínculo na primeira infância em querer compreender os processos de fabricação de produtos caseiros, por exemplo, da fabricação de sabão, da extração de Jucaina, dos queijos e de variados e finos doces todos feitos por Badé, com a supervisão do meu pai, o competente e rigoroso Dr. José Macário.
Aconselhado por ele e testemunhando as lágrimas de minha mãe, decidi (no início de 1976) fazer um estágio na cidade de São Paulo, como era carnaval e a USP se encontrava em recesso, continuei a viagem até Florianópolis / SC, para visitar um tio e passar apenas um final de semana na ilha da Santa e Bela Catarina. Entretanto, visitando a UFSC decidi me juntar a equipe de Química dessa nova universidade e esse final de semana já dura mais de 34 anos. E assim, aquele "Dr. Manin", dos amigos do Crato, virou o Prof. Dr. Marcos ou mais propriamente um "cabra da peste do sertão nordestino", mas ainda não consegui atingir as avançadas e sincronizadas opções metodológicas, nem da regência de classe, em comparação com aquelas praticadas pela Profa. Dona Zita nas Escola Isoladas do sertão nordestino. Mesmo já tendo entendido as reações e os mecanismos de reações envolvidos nos processos químicos conduzidos por Badé e supervisionados por papai, ainda não consegui repetir aquelas deliciosas, mas secretas, receitas dos tempos antigos.
Em Florianópolis, de novo, me deparei com o mar e assim logo tratei de adquirir um sítio, para proporcionar aos meus filhos um prazeroso convívio com a natureza e é no sítio que eu volto as minhas origens do campo.
Assim, este é o resumo do meu percurso de vida, pois as informações quanto aos meus familiares se encontram neste blog.
 Xico Bizerra
Desembuchei no mundo numa cidade chamada Crato, nos calcanhares da Serra do Araripe, parede-e-meia entre o Ceará e Pernambuco. Naquelas bandas, já se nasce sentindo as baforadas do baião, já se toma mingau com gosto de xote, a chupeta vem melada com o açúcar do xaxado. Além do mais, ao sair do bucho da mãe, já bate nas oiça da gente um violeiro, um cantador ou um cego de feira , do outro lado da calçada, cantarolando Gonzagão. Como não se apaixonar pelo rei Lua? Assim, fui balançado na rede ouvindo o acalanto Gonzagueante e sentindo no pau da venta o cheirinho bom da terra do sertão. Para completar, minha mãe tocava bandolim, quando não tava namorando com meu pai. Daí, o gosto pela música, conseqüência de uma relação quase umbilical.
http://www.forroboxote.mus.br/

Patativa do Assaré
Antônio Gonçalves da Silva, mais conhecido como Patativa do Assaré, (Assaré, 5 de março de 1909 — 8 de julho de 2002) foi um poeta popular, compositor, cantor e improvisador brasileiro. Uma das principais figuras da poesia oral nordestina do século XX. Segundo filho de uma família pobre que vivia da agricultura de subsistência, cedo ficou cego de um olho por causa de uma doença. Com a morte de seu pai quando tinha oito anos de idade, passa a ajudar sua família no cultivo das terras. Aos doze anos, freqüenta a escola local por apenas alguns meses onde é alfabetizado. Mesmo antes disso já compunha versos próprios, que ele decorava. Aos dezesseis anos sua mãe vende uma ovelha e lhe dá sua primeira viola. À partir dessa época, começa a fazer repentes e a se apresentar em festas e ocasiões importantes. Por volta dos vinte anos recebe o pseudônimo de Patativa, por ser sua poesia comparável à beleza do canto dessa ave. Patativa viaja para Belém do Pará, e para Macapá (Amapá) onde apresentava-se como violeiro.Volta para o Ceará para trabalhar na terra, indo constantemente à Feira do Crato onde participava do programa da rádio Araripe, declamando seus poemas. Numa destas ocasiões é ouvido por José Arraes de Alencar que, convencido de seu potencial, lhe dá o apoio e o incentivo para a publicação de seu primeiro livro, Inspiração Nordestina, de 1956. Este livro teria uma segunda edição com acréscimos em 1967, passando a se chamar Cantos do Patativa. Em 1970 é lançada nova coletânea de poemas, Patativa do Assaré: novos poemas comentados, e em 1978 foi lançado Cante lá que eu canto cá. Os outros dois livros, Ispinho e Fulô e Aqui tem coisa, foram lançados respectivamente nos anos de 1988 e 1994. Foi casado com Belinha, com quem teve nove filhos. Faleceu na mesma cidade onde nasceu.









 
Postar um comentário