30 junho 2010

SOS NORDESTE

Meus amigos, através deste meio de comunicação venho pedir a todos vocês ajuda aos nordestinos de Alagoas e Pernambuco, vítimas das enchentes de Junho.
Em Fortaleza, a Cruz Vermelha está recebendo donativos.Ao levar seus donativos procurem separar: roupas, calçados, lençois, alimentos não perecíveis, água mineral e material de limpeza.
Disponibilizo aqui duas contas correntes no Banco do Brasil para quem puder ajudar com dinheiro. Qualquer quantia por menor que seja, será de grande valor para aqueles que perderam tudo.
CORPO DE BOMBEIROS DE ALAGOAS
Conta corrente: 5241-8
Agência: 3557-2
SOS PERNAMBUCO/ALAGOAS - CÁRITAS
Conta Corrente: 5821-1
Agência: 3505-x
Vamos nos unir numa corrente de solidariedade e ajudar o próximo.

SOS NORDESTE

Meus amigos, através deste meio de comunicação venho pedir a todos vocês ajuda aos nordestinos de Alagoas e Pernambuco, vítimas das enchentes de Junho.
Em Fortaleza, a Cruz Vermelha está recebendo donativos.Ao levar seus donativos procurem separar: roupas, calçados, lençois, alimentos não perecíveis, água mineral e material de limpeza.
Disponibilizo aqui duas contas correntes no Banco do Brasil para quem puder ajudar com dinheiro. Qualquer quantia por menor que seja, será de grande valor para aqueles que perderam tudo.
CORPO DE BOMBEIROS DE ALAGOAS
Conta corrente: 5241-8
Agência: 3557-2
SOS PERNAMBUCO/ALAGOAS - CÁRITAS
Conta Corrente: 5821-1
Agência: 3505-x
Vamos nos unir numa corrente de solidariedade e ajudar o próximo.

23 junho 2010

SÃO JOÃO
Nesse São João nós viemo
Treis coisa comemorá
Dos mais véio nós queremo
A lembrança refrescá
Co’a juventude queremo
Costume continuá
Minino qui é minino
Taqui mesmo é pra brincá.

Fazendo Assim nós repete
Brincadeira de criança
Ao mesmo tempo que escreve
No início da festança
Casado aqui também veve
Cunveça, se anima e dança.

A jovem rapaziada
É elo de ligação
Olhando as era passada
Dançando xote e baião
Vai preparando a estrada
E aprendendo outra lição
Passando a dançá balada.

Para os minino a festança,
É traque, é pulo, é carreira,
Vai lá espia a fogueira
E volta prá encher a pança.

Assim nós tem alegria
Juntando treis geração
Porque nessa vida um dia
Um passa ao outro o bastão.

José Hermano Bezerra de Brito.
Para o São João no Camará.
Desejamos a todos muita diversão nestas festas juninas!
SÃO JOÃO
Nesse São João nós viemo
Treis coisa comemorá
Dos mais véio nós queremo
A lembrança refrescá
Co’a juventude queremo
Costume continuá
Minino qui é minino
Taqui mesmo é pra brincá.

Fazendo Assim nós repete
Brincadeira de criança
Ao mesmo tempo que escreve
No início da festança
Casado aqui também veve
Cunveça, se anima e dança.

A jovem rapaziada
É elo de ligação
Olhando as era passada
Dançando xote e baião
Vai preparando a estrada
E aprendendo outra lição
Passando a dançá balada.

Para os minino a festança,
É traque, é pulo, é carreira,
Vai lá espia a fogueira
E volta prá encher a pança.

Assim nós tem alegria
Juntando treis geração
Porque nessa vida um dia
Um passa ao outro o bastão.

José Hermano Bezerra de Brito.
Para o São João no Camará.
Desejamos a todos muita diversão nestas festas juninas!

22 junho 2010

FUTEBOL É PAIXÃO


Zé Acácio se destacava como peladeiro no time de futebol da escola. Na hora do par ou ímpar para escolher os jogadores, quem primeiro era escolhido era ele. Era nisso que era bom. Nos estudos, não se pode dizer que era mau, era, digamos assim, mediano, aluno média 6. Com a bola nos pés, aí sim, era quase 10. Íamos todos estudar na casa de Zé Acácio. Tinha merenda todas as tardes e tinha Luzia Helena, irmã dele, por quem o time inteiro era apaixonado. No final do ano, torcíamos para que o reinício das aulas não demorasse tanto. Enquanto isso, todas as tardes íamos jogar bola num campinho enfrente à casa de Luzia Helena. Entre nós, jogadores, alguns detestavam futebol. Luzia Helena adorava assistir a nossos jogos.
Escrito por: Xico Bizerra

FUTEBOL É PAIXÃO


Zé Acácio se destacava como peladeiro no time de futebol da escola. Na hora do par ou ímpar para escolher os jogadores, quem primeiro era escolhido era ele. Era nisso que era bom. Nos estudos, não se pode dizer que era mau, era, digamos assim, mediano, aluno média 6. Com a bola nos pés, aí sim, era quase 10. Íamos todos estudar na casa de Zé Acácio. Tinha merenda todas as tardes e tinha Luzia Helena, irmã dele, por quem o time inteiro era apaixonado. No final do ano, torcíamos para que o reinício das aulas não demorasse tanto. Enquanto isso, todas as tardes íamos jogar bola num campinho enfrente à casa de Luzia Helena. Entre nós, jogadores, alguns detestavam futebol. Luzia Helena adorava assistir a nossos jogos.
Escrito por: Xico Bizerra

18 junho 2010

Clic na Imagem
Aniversário Pia Mary - Recife,  Maio de 2010
Eita festa animada!
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Aniversário Pia Mary - Recife,  Maio de 2010
Eita festa animada!

15 junho 2010

A perda de um Pai

Austrália, 31 de setembro de 2008

Era domingo à tarde, voltava pra casa caminhando, beirando o mar. Quando minha mãe me ligou, disse que meu pai havia partido. O mundo ao meu redor parou.
Observei novamente o mar, sentindo a imensidão da perda.
Estático, recordei alguns momentos:
Quando ficava saboreando seus petiscos enquanto ele bebia na varanda do Camará, assistindo jogos de futebol, das pescarias que ele me levava, de alguns acidentes que tive e quando ele me dizia para ser mais cuidadoso. Ele sempre me dizia que eu estava magro demais e recebia um puxão estralado no excesso de pele da barriga.
Quando era criança fui ao supermercado com ele, voltei pro carro saboreando um delicioso chocolate. Nessa época não sabia qual era o significado da palavra furto, mas meu pai me obrigou a voltar ao supermercado pedir desculpas e devolver aquele delicioso chocolate, mesmo chorando muito, eu fui. Aprendi desde então a nunca pegar o que não é meu.
Na infância lembro de uma fase em que todas às sextas-feiras meu pai me trazia um carrinho ou qualquer que fosse o presentinho. Hoje, com a chegada do meu primogênito, entendo porque ele me trazia sempre uma lembracinha naquelas benditas sextas.
Relembro todas as festas de aniversário, quando meu pai passava horas a cozinhar algum prato especial ou sua famosa feijoada, atencioso e preocupado com o desenrolar do evento.
Recordo as incontáveis vezes que recebi amigos sem aviso prévio e sempre foram bem recebidos em minha casa com um prato extra qualquer que fosse a hora. Por toda minha vida, meus irmãos e minhas sobrinhas fomos acordados todos os dias, aproximadamente, 5h30m da matina para a saudável vitamina de banana, chamada pelo meu pai de "bananada". Acredito que isto seja responsável pela boa saúde da família.
 Bananada que nutria corpo e alma, e ainda os visitantes que dormiam aleatoriamente em nossa casa e eram acordados para desfrutá-la. Tenho orgulho de ter recebido tal prova de amor durante toda minha vida e tenho certeza que farei o mesmo com meu filho.
Na última festa de reveillon que passei no Brasil, toda minha família estava reunida no Camará da Serra. Na hora da virada meus pais estavam se abraçando, instintivamente todos os filhos se uniram formando um único círculo (inesquecível). Foi o ultimo reveillon com todos nós juntos.
Lembro das suas palavras, quando liguei pra casa dia 18 de fevereiro e falei pra ele sobre minha paternidade inesperada. Simplesmente, ele disse: "Foi mesmo, rapaz! Isso é muito bom. Um filho é sempre uma benção".
Quando se mora longe de suas origens, o assunto mais comentado entre os "viajantes" são suas raízes. A família é assunto principal. No meu caso, não canso de citar o valor da minha, o seu número de integrantes e a sinergia entre eles.
Cheguei a duas conclusões que gostaria de dividir com vocês:
Meu pai foi uma pessoa do bem, que nos ensinou a ser correto acima de tudo e ter dignidade na essência. Vou além, acredito que meus pais poderiam constar nas enciclopédias atuais, quando se procura informações sobre exemplo de família.
Meus pais são super-heróis, um bancário e professora universitária que criaram 4 filhos com os armadilhas financeiras do país e com os obstáculos do proletário brasileiro. Não um império financeiro, mas é um império familiar.
O ciclo natural da vida nos parece injusto. É impossível mensurar a perda de uma pessoa, menos ainda a do meu pai. Percebo que adquiri muitas características semelhantes as dele. Divergências se transformam em afinidades, hábitos e costumes se entrelaçam ao nosso DNA. Agora entendo o porquê de Elis Regina cantar aquela canção "Como nossos pais".
Reconheço a força e luta de meus pais durante toda nossa trajetória juntos.
Enxergo o esforço que eles tiveram em educar 4 filhos sempre enfatizando o poder e os valores da família unida.
Obrigado, meu pai Edmilson, pela semente plantada. Guardarei os ensinamentos e passarei adiante para meus filhos e netos. Sua missão foi cumprida com louvor e amor.
Saudade.
Sergio Lustosa da Costa Brito (filho)
... e já se passaram quase dois anos

A perda de um Pai

Austrália, 31 de setembro de 2008

Era domingo à tarde, voltava pra casa caminhando, beirando o mar. Quando minha mãe me ligou, disse que meu pai havia partido. O mundo ao meu redor parou.
Observei novamente o mar, sentindo a imensidão da perda.
Estático, recordei alguns momentos:
Quando ficava saboreando seus petiscos enquanto ele bebia na varanda do Camará, assistindo jogos de futebol, das pescarias que ele me levava, de alguns acidentes que tive e quando ele me dizia para ser mais cuidadoso. Ele sempre me dizia que eu estava magro demais e recebia um puxão estralado no excesso de pele da barriga.
Quando era criança fui ao supermercado com ele, voltei pro carro saboreando um delicioso chocolate. Nessa época não sabia qual era o significado da palavra furto, mas meu pai me obrigou a voltar ao supermercado pedir desculpas e devolver aquele delicioso chocolate, mesmo chorando muito, eu fui. Aprendi desde então a nunca pegar o que não é meu.
Na infância lembro de uma fase em que todas às sextas-feiras meu pai me trazia um carrinho ou qualquer que fosse o presentinho. Hoje, com a chegada do meu primogênito, entendo porque ele me trazia sempre uma lembracinha naquelas benditas sextas.
Relembro todas as festas de aniversário, quando meu pai passava horas a cozinhar algum prato especial ou sua famosa feijoada, atencioso e preocupado com o desenrolar do evento.
Recordo as incontáveis vezes que recebi amigos sem aviso prévio e sempre foram bem recebidos em minha casa com um prato extra qualquer que fosse a hora. Por toda minha vida, meus irmãos e minhas sobrinhas fomos acordados todos os dias, aproximadamente, 5h30m da matina para a saudável vitamina de banana, chamada pelo meu pai de "bananada". Acredito que isto seja responsável pela boa saúde da família.
 Bananada que nutria corpo e alma, e ainda os visitantes que dormiam aleatoriamente em nossa casa e eram acordados para desfrutá-la. Tenho orgulho de ter recebido tal prova de amor durante toda minha vida e tenho certeza que farei o mesmo com meu filho.
Na última festa de reveillon que passei no Brasil, toda minha família estava reunida no Camará da Serra. Na hora da virada meus pais estavam se abraçando, instintivamente todos os filhos se uniram formando um único círculo (inesquecível). Foi o ultimo reveillon com todos nós juntos.
Lembro das suas palavras, quando liguei pra casa dia 18 de fevereiro e falei pra ele sobre minha paternidade inesperada. Simplesmente, ele disse: "Foi mesmo, rapaz! Isso é muito bom. Um filho é sempre uma benção".
Quando se mora longe de suas origens, o assunto mais comentado entre os "viajantes" são suas raízes. A família é assunto principal. No meu caso, não canso de citar o valor da minha, o seu número de integrantes e a sinergia entre eles.
Cheguei a duas conclusões que gostaria de dividir com vocês:
Meu pai foi uma pessoa do bem, que nos ensinou a ser correto acima de tudo e ter dignidade na essência. Vou além, acredito que meus pais poderiam constar nas enciclopédias atuais, quando se procura informações sobre exemplo de família.
Meus pais são super-heróis, um bancário e professora universitária que criaram 4 filhos com os armadilhas financeiras do país e com os obstáculos do proletário brasileiro. Não um império financeiro, mas é um império familiar.
O ciclo natural da vida nos parece injusto. É impossível mensurar a perda de uma pessoa, menos ainda a do meu pai. Percebo que adquiri muitas características semelhantes as dele. Divergências se transformam em afinidades, hábitos e costumes se entrelaçam ao nosso DNA. Agora entendo o porquê de Elis Regina cantar aquela canção "Como nossos pais".
Reconheço a força e luta de meus pais durante toda nossa trajetória juntos.
Enxergo o esforço que eles tiveram em educar 4 filhos sempre enfatizando o poder e os valores da família unida.
Obrigado, meu pai Edmilson, pela semente plantada. Guardarei os ensinamentos e passarei adiante para meus filhos e netos. Sua missão foi cumprida com louvor e amor.
Saudade.
Sergio Lustosa da Costa Brito (filho)
... e já se passaram quase dois anos

12 junho 2010

AS ALMAS  ENCONTRAM-SE NOS LÁBIOS DOS ENAMORADOS"
Percy Bysshe Shelley
FELIZ DIA DOS NAMORADOS!
AS ALMAS  ENCONTRAM-SE NOS LÁBIOS DOS ENAMORADOS"
Percy Bysshe Shelley
FELIZ DIA DOS NAMORADOS!

08 junho 2010

Mandalas





 MANDALAS, pinturas em acrílico sobre papel. Inspiração de Leonardo G. Bezerra  


                  



Mandalas





 MANDALAS, pinturas em acrílico sobre papel. Inspiração de Leonardo G. Bezerra  


                  



06 junho 2010

Clic no vídeo Vídeos enviados por Naiana
video video
Clic no vídeo Vídeos enviados por Naiana

05 junho 2010

Há Momentos

Há momentos na vida em que sentimos tanto
a falta de alguém que o que mais queremos
é tirar esta pessoa de nossos sonhos
e abraçá-la.

Sonhe com aquilo que você quiser.
Seja o que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que se quer.

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.

As pessoas mais felizes
não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor
das oportunidades que aparecem
em seus caminhos.

A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passam por suas vidas.

O futuro mais brilhante
é baseado num passado intensamente vivido.
Você só terá sucesso na vida
quando perdoar os erros
e as decepções do passado.

A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar
duram uma eternidade.
A vida não é de se brincar
porque um belo dia se morre.
Clarice Lispector
Há Momentos

Há momentos na vida em que sentimos tanto
a falta de alguém que o que mais queremos
é tirar esta pessoa de nossos sonhos
e abraçá-la.

Sonhe com aquilo que você quiser.
Seja o que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que se quer.

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.

As pessoas mais felizes
não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor
das oportunidades que aparecem
em seus caminhos.

A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passam por suas vidas.

O futuro mais brilhante
é baseado num passado intensamente vivido.
Você só terá sucesso na vida
quando perdoar os erros
e as decepções do passado.

A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar
duram uma eternidade.
A vida não é de se brincar
porque um belo dia se morre.
Clarice Lispector
Para quem gosta de Química.
Estou publicando este artigo enviado por Marcos.
O seguinte syte disponibiliza (em Tabela Periódica Interativa) informações sobre os elementos químicos e seus principais compostos.

http://www.qmc.ufsc.br/marcos
Para quem gosta de Química.
Estou publicando este artigo enviado por Marcos.
O seguinte syte disponibiliza (em Tabela Periódica Interativa) informações sobre os elementos químicos e seus principais compostos.

http://www.qmc.ufsc.br/marcos

02 junho 2010

TEMPO, TEMPO MEU

“o tempo não para e, no entanto, ele nunca envelhece’- Caetano Veloso, em ‘Força Estranha’
Às vezes quero sair por portas que não existem, portas por mim mesmo inventadas. Quero pular muros que só eu enxergo.
- Calma, Xico, o tempo é o senhor da razão - diz-me a alma, candidamente.
- Eu sei – respondo de mim para mim, mas o tempo corre e talvez não dê tempo.
E as horas, que passavam horas pra passar, agora passam em segundos, velozes, num raio de luz. Por que a pressa? Estará a vida em nosso encalço, feito polícia, ávida por nos prender? Por que a correia? O rio em que banhamos nossos pés se desencherá, se não nos apressarmos? 
A lua deixará de estar lá em cima, prateando nosso chão se, ao invés de ficarmos parados, contemplando, corrermos? O canto dos passarinhos será tão breve que não conseguiremos
ouvi-lo? Nossos sonhos se desmancharão se formos pacientes e apenas sonharmos?
Não, não quero a pressa. Quero a paz da calma, o sossego da preguiça, o esperar chegar. Quero a vida, o sonho, o amor. Quero a paz, pra mim, pra nós. Quero o tempo passando preguiçosamente, no compasso certo do tempo. Quero o meu tempo chegando no tempo certo. Não me avexo. Não se avexe. Deem-me uma rede pra balançar o tempo e fazê-lo dormir, enrolado num lençol de cambraia bem branquinho, cor da paz.
Xico Bizerra
TEMPO, TEMPO MEU

“o tempo não para e, no entanto, ele nunca envelhece’- Caetano Veloso, em ‘Força Estranha’
Às vezes quero sair por portas que não existem, portas por mim mesmo inventadas. Quero pular muros que só eu enxergo.
- Calma, Xico, o tempo é o senhor da razão - diz-me a alma, candidamente.
- Eu sei – respondo de mim para mim, mas o tempo corre e talvez não dê tempo.
E as horas, que passavam horas pra passar, agora passam em segundos, velozes, num raio de luz. Por que a pressa? Estará a vida em nosso encalço, feito polícia, ávida por nos prender? Por que a correia? O rio em que banhamos nossos pés se desencherá, se não nos apressarmos? 
A lua deixará de estar lá em cima, prateando nosso chão se, ao invés de ficarmos parados, contemplando, corrermos? O canto dos passarinhos será tão breve que não conseguiremos
ouvi-lo? Nossos sonhos se desmancharão se formos pacientes e apenas sonharmos?
Não, não quero a pressa. Quero a paz da calma, o sossego da preguiça, o esperar chegar. Quero a vida, o sonho, o amor. Quero a paz, pra mim, pra nós. Quero o tempo passando preguiçosamente, no compasso certo do tempo. Quero o meu tempo chegando no tempo certo. Não me avexo. Não se avexe. Deem-me uma rede pra balançar o tempo e fazê-lo dormir, enrolado num lençol de cambraia bem branquinho, cor da paz.
Xico Bizerra