05 setembro 2011

Caravanas Sertanejas II
O sítio Saco, de Joaquim Neves, limita-se com o sítio Saquinho, do Coronel Né Rosendo, meu avô. De uma casa avista-se a outra separadas por 2 Kms de canavial outrora.
Assim sendo, eu era o primogênito de uma casa e o caçula da outra com a vida que pedi a Deus! Muita fartura, muito amor e carinho sobrando! Onde anoitecesse eu dormia, pois tinha dois quartos, duas escovas, duas redes, tudo em duplicata.
Pois bem, a caravana sertaneja de meu Pai antecedia à caravana sertaneja do meu avô, de tal modo que eu descia para o sertão com meu Pai e no João Vieira ficava esperando a caravana sertaneja do meu AVÔ, mais ou menos 20 dias depois. Quando Pai Né descia, passava no João Vieira para um lanche e ai eu entrava na sua caravana para a fazenda Mandacarú, duas léguas depois do João Vieira.
No percurso havia mais um atrativo: o rio jardim que descia na direção de Jaty. Muitas vezes o rio estava em cheia, a depender do inverno. Aí agente ficava na beira do rio esperando que a cheia baixasse para passarmos com água na altura do estribo das selas dos animais. Era o colorido da aventura! Chegava-se na fazenda Mandacarú por volta das 17 horas. Aí tudo decorria como no João Vieira. Vez por outra eu selava o meu cavalo e ficava transitando entre as duas fazendas.
Na fazenda mandacaru era uma planura só! Na Semana Santa, realmente toda feriada, havia caçadas de abelhas silvestres. Passava-se o dia na mata virgem com o caçador de abelhas, Joaquim Bacamarte, que logo encontrava abelhas silvestres de mel delicioso: abelha branca, mandassaia, cupira, etc., todas já expulsas do sertão pela abelha italiana, predadora e agressiva, inclusive para o homem. 500 picadas de uma abelha italiana levam a óbito! Para quem é alérgico basta uma ferroada!
Recentemente, fui ver a fazenda mandacaru, hoje de um primo Médico e senti uma nostálgica saudade da meninice ali em parte vivida! Os tempos modernos carregaram parte do romantismo do sertão! E aqui é o jeito repetir mestre Guimarães Rosa: NO VIVER TUDO CABE!
Barbalha, 14.7.2.11. Napoleão Tavares Neves.
(assinado em baixo)
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