20 julho 2011

Histórias do Juazeiro antigo
DR. Floro Bartolomeu da Costa foi um médico baiano, certamente aventureiro que chegou ao Cariri em 1909, a pretexto de conhecer e explorar as minas de cobre de Cocha, de propriedade do Padre Cícero no município de Aurora ainda aqui no Cariri, trazendo um agrimensor francês de nome Conde Van Den Brule, tão aventureiro quanto ele. Gostaram do ambiente, preencheram lacunas até então impreenchíveis no Juazeiro, deram-se bem e daqui só saíram com a morte. DR. Floro logo se tornou o mentor político do Padre Cícero falecendo como Deputado federal pelo Ceará. Era um homem forte, de másculas atitudes, certamente um mal necessário a Juazeiro daquele tempo. Qualquer falha grave ele gritava o seu quase carimbo: "levem pra rodagem", o que significava execução pura e simples, no trabalho da rodagem que se fazia para Crato. Tinha ele grande prestígio no governo federal, de tal forma que a minha tese é esta: DR. Floro era um olheiro das forças armadas para que Juazeiro não fosse um novo Canudos. Só assim se explica o trânsito livre nas altas esferas do poder central, a ponto de trazer dois mil fuzis ainda encaixotados para armar o grupo de Lampião, mostrando que a política tudo pode. Já o Conde aventureiro que o acompanhava tornou-se o agrimensor oficial do Padre Cícero.
Em 1926, o governo Artur Bernardes estava muito frágil e a ala jovem do exercito queria derrubá-lo, formando-se a Coluna Prestes que  a cavalo e a pé chegou até o Nordeste. O poder central encarregou o DR. Floro de barrar a marcha dos revoltosos no Cariri. DR. Floro argumentou que somente Lampião poderia fazê-lo, por saber técnicas de guerrilha. DR. Floro convidou Lampião a vir a Juazeiro incorporar-se aos Batalhões Patrióticos para barrar a Coluna Prestes. Fez convite a Lampião em nome do Padre Cícero, sabendo que todo sertanejo o tinha como santo. Era somente esse o relacionamento dos dois. Só se conheceram em 1926 aqui em Juazeiro.
  Napoleão Tavares Neves, 27/06/2011.
(Assinado em baixo)
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