20 junho 2011

Conversas na barbearia

 Religiosamente, de 20 em 20 dias vou ao barbeiro cortar o cabelo. Para não relaxar, marco a data no calendário. Hoje, era dia de ir ao Fígaro, como diria Ancilon Ayres.
Sentei-me na cadeira e o barbeiro começou:
- Sempre vejo o senhor na televisão, nas rádios ou nos jornais. Qual o segredo de tudo isto?
- Veja bem. Vá anotando:
Nunca bebi!
Nunca fumei!
Nunca dei uma farra!
Sempre fui e ainda sou um eterno menino da bagaceira de engenho de rapaduras e de porteira de curral de vacas leiteiras.
Nunca senti inveja de nada, nem de ninguém!
Nunca pensei em ganhar muito dinheiro!
Jamais desejei ser muito rico. Acho que a riqueza só traz preocupação e mil problemas!
Só quero aquilo que me faça viver em paz e relativamente bem.
Nunca fui prepotente. Sempre fui pacífico, pacifista e pacificador. Sempre fui manso.
Como médico, nunca fui estrela. Pelo contrário: sempre fui um médico humilde, modesto. Só vou, na Medicina, até onde sei. Daí pra frente, passo o cliente para quem sabe mais.
Nunca tive orgulho, nem vaidade.
Nunca quis um “carrão”, mas apenas um carro que me conduza.
Vivo feliz com o que sou e com o que tenho.
Eis aí o mapa da “mina” de viver bem.
O barbeiro ficou de olhos arregalados com as minhas verdades.
Quando terminei o “sermão”, o cabelo estava cortado. Despedi-me e lhe disse: daqui a 20 dias estarei aqui novamente.
Napoleão Tavares Neves.
(Assinado embaixo)
Barbalha/CE, 09/06/2011.

Segundo Mano esta estória trata-se de uma lição de vida. Que eu concordo plenamente.
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