04 abril 2010

RAIZES

Badé nossa segunda Mãe

A foto demonstra uma criatura que dedicou a sua vida as outras pessoas e esse é um raro exemplo de doação incondicional a Zita, a seus antecedentes e a seus descendentes. O seguinte relato se apóia no sentimento e nas lembranças expressos pela referida foto em que Tuezinha, por ser a caçula na época, por isso foi escolhida para representar a relação de dedicação e de proteção que Badé teve com todos nós. 
Tudo começou no final do século XIX, na época pós-escravidão, em que Badé (Antônia Luciano) ainda menina e filha de ex-escravos foi incumbida da responsabilidade de cuidar de Francisca, carinhosamente chamada de Santinha, filha do senhor e senhora de engenho, Pai Franco e Mãe Donana. Por esse acaso, Badé se mudou para a casa grande e lá se tornou companheira e o "anjo da guarda" de Santinha, a nossa avó. Parece então que ela se apegou a essa oportunidade, como que a uma “tábua de salvação” e daí em diante assinou e cumpriu voluntariamente um termo de responsabilidades e de compromissos, dedicando todo o seu tempo e a toda a sua vida à nossa avó, seus irmãos e todos os seus descendentes.
Nesse primeiro capítulo de convivência com os Neves e vivenciando o dia-a-dia no sítio, Badé pode aprender todo o trabalho doméstico e desenvolveu a capacidade de sobrevivência naqueles tempos difíceis. Chegado o momento do casamento de Vovó com o Sr. Aires, o nosso avô, Badé acompanhou o casal passando a se dedicar a Zita e quando do falecimento precoce, por ocasião do parto do segundo filho de Vovó, Badé assumiu Zita como se fosse a sua própria filha. Por ocasião do segundo casamento de Vovô com Mãe Edith, Badé passou a acumular a responsabilidade de cuidar de Zita juntamente com os filhos do novo casal: Vovô e Mãe Edith. Esta etapa de serviços prestados, em que Badé era considerada como "da família", mamãe se casou com o Dr. José Macário (papai) e Badé se mudou, acompanhando Zita e assim se iniciou mais uma outra etapa, ou seja, agora ela iniciava a criação de uma terceira geração: os filhos de Zita.
Somos oito e ela se dedicou à todos, embora se diga que ela teria os seus preferidos, mas é melhor que nunca saibamos quem foram, pois em nossas lembranças ela se dividia em oito para nos atender, nos aconselhar e cuidar de todos nós. A sua relação com papai sempre foi discreta e lembramos que ele a considerava como justa e até se apoiava nela para resolver as esporádicas brigas entre os nossos irmãos. Assim, nos lembramos dos castigos que ela nos fazia cumprir e que tinha total respaldo de papai e de mamãe. A vida em Pilões, nos ensinando a plantar, a colher e a vender algodão, a negociar ovo e limão em troca por pão, etc., já eram as primeiras lições de preparação para a vida nesses tempos de capitalismo.
No Açude do Cedro, em Quixadá/CE, em que tanto papai quanto mamãe se ocupavam com os compromissos profissionais, ele Agrônomo-chefe e ela professora em Escola Isolada do Posto Agrícola, era Badé que cuidava por onde andava Marcos e Sérgio, se todos já tinham feito os seus deveres de casa, controlando principalmente Marcos quanto aos horários do futebol.
São tantos os bons momentos que passamos juntos que se torna difícil resumi-los nessa breve narrativa, mas se lembrar de Badé é sempre um prazeroso retorno ao passado e assim, todos nós, os filhos de Zita, temos por Badé uma profunda admiração, amor e gratidão.
Escrito por Marcos em Dezembro de 2006
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