21 julho 2011

O bafômetro químico

Por ocasião de uma visita à Fazenda do Coronel no Cristalino, o Zé-Ronaldo, o Zermano, eu e o primo Napoleão trocávamos algumas idéias regadas com uma boa pinga do cariri e de repente o caseiro José lançou a seguinte pergunta: “Coronel, o que é o bafômetro químico”?
“Bem, José, eu acho que aqui no Cristalino você nem precisa se preocupar com bafômetro, mas em todo caso vou lhe explicar: bafômetro é um equipamento utilizado por policiais para verificar o nível de álcool etílico (etanol) presente no ar exalado dos pulmões de motoristas. O teste com o bafômetro químico é baseado na mudança de cor que ocorre devido à reação do álcool com um reagente específico, mas dessa reação quem entende é o Mano”.
“Então você pode me explicar como funciona essa máquina”? Novamente intervém o caseiro José.
Bem José, existe no bafômetro um recipiente com uma solução aquosa concentrada de dicromato de potássio (que é alaranjado) misturado com ácido sulfúrico e se existir álcool etílico no ar exalado dos pulmões de motoristas, o bafômetro muda de cor, de alaranjado para tons de verde, pois ocorre a oxidação do etanol e redução do Cr6+, produzindo ácido acético e sulfato de Cr3+.
Nesse instante o Zermano interveio e disse, “Dr. Manim, vamos esmiuçar essa questão: explique no papel a reação que ocorre no bafômetro, para um teste positivo de etanol no sangue”. Eu concordei, mas enquanto o Zé-Ronaldo providenciava papel e caneta, o Napoleão se adiantou com as seguintes informações sobre os índices de etanol no sangue e respectivos sintomas:
Etanol no sangue (gramas/litro)
Sintomas
0,1 a 0,5
Nenhuma influência aparente.
0,3 a 1,2
Perda de eficiência, diminuição da  atenção, de julgamento e de controle.
0,9 a 2,5
Instabilidade das emoções e falta de coordenação muscular. Menor inibição e perda do julgamento crítico.
1,8 a 3,0
Vertigens, desequilíbrio, dificuldade na fala e distúrbios da sensação.
2,7 a 4,0
Apatia e inércia geral. Vômitos, incontinência urinária e fezes.
3,5 a 5,0
Inconsciência, anestesia. 
Acima de 5
Parada respiratória e
Morte






O Zé-Ronaldo retornou da sua camionete cabine-dupla e além de papel e caneta trouxe também um bafômetro descartável, fez o teste no José e mostrou o resultado para nós: o bafômetro estava verde intenso o que acusava elevado índice alcoólico no sangue do caseiro! Mas tudo bem, não havia problemas e o Zermano acompanhou a minha explicação, pois a essa altura eu também já estava “prá lá de Bagdá”. Zermano aqui está a equação para a reação química:

2K2Cr2O7 + 3CH3CH2OH + 8H2SO4→ 2Cr2(SO4)3 + 2K2SO4 + 3CH3COOH +11H2O     
 (alaranjado)                                                  (verde)  
        
E o Zermano concluiu: “veja bem José, na ausência de etanol não ocorreria a reação, a cor no bafômetro permaneceria alaranjada, mas na presença de álcool etílico ocorre a reação e o bafômetro se torna em tons de verde”.  
Marcos, 05/07/2011.
PS. Nem eu nem o Napoleão tomamos pinga! 
O bafômetro químico

Por ocasião de uma visita à Fazenda do Coronel no Cristalino, o Zé-Ronaldo, o Zermano, eu e o primo Napoleão trocávamos algumas idéias regadas com uma boa pinga do cariri e de repente o caseiro José lançou a seguinte pergunta: “Coronel, o que é o bafômetro químico”?
“Bem, José, eu acho que aqui no Cristalino você nem precisa se preocupar com bafômetro, mas em todo caso vou lhe explicar: bafômetro é um equipamento utilizado por policiais para verificar o nível de álcool etílico (etanol) presente no ar exalado dos pulmões de motoristas. O teste com o bafômetro químico é baseado na mudança de cor que ocorre devido à reação do álcool com um reagente específico, mas dessa reação quem entende é o Mano”.
“Então você pode me explicar como funciona essa máquina”? Novamente intervém o caseiro José.
Bem José, existe no bafômetro um recipiente com uma solução aquosa concentrada de dicromato de potássio (que é alaranjado) misturado com ácido sulfúrico e se existir álcool etílico no ar exalado dos pulmões de motoristas, o bafômetro muda de cor, de alaranjado para tons de verde, pois ocorre a oxidação do etanol e redução do Cr6+, produzindo ácido acético e sulfato de Cr3+.
Nesse instante o Zermano interveio e disse, “Dr. Manim, vamos esmiuçar essa questão: explique no papel a reação que ocorre no bafômetro, para um teste positivo de etanol no sangue”. Eu concordei, mas enquanto o Zé-Ronaldo providenciava papel e caneta, o Napoleão se adiantou com as seguintes informações sobre os índices de etanol no sangue e respectivos sintomas:
Etanol no sangue (gramas/litro)
Sintomas
0,1 a 0,5
Nenhuma influência aparente.
0,3 a 1,2
Perda de eficiência, diminuição da  atenção, de julgamento e de controle.
0,9 a 2,5
Instabilidade das emoções e falta de coordenação muscular. Menor inibição e perda do julgamento crítico.
1,8 a 3,0
Vertigens, desequilíbrio, dificuldade na fala e distúrbios da sensação.
2,7 a 4,0
Apatia e inércia geral. Vômitos, incontinência urinária e fezes.
3,5 a 5,0
Inconsciência, anestesia. 
Acima de 5
Parada respiratória e
Morte






O Zé-Ronaldo retornou da sua camionete cabine-dupla e além de papel e caneta trouxe também um bafômetro descartável, fez o teste no José e mostrou o resultado para nós: o bafômetro estava verde intenso o que acusava elevado índice alcoólico no sangue do caseiro! Mas tudo bem, não havia problemas e o Zermano acompanhou a minha explicação, pois a essa altura eu também já estava “prá lá de Bagdá”. Zermano aqui está a equação para a reação química:

2K2Cr2O7 + 3CH3CH2OH + 8H2SO4→ 2Cr2(SO4)3 + 2K2SO4 + 3CH3COOH +11H2O     
 (alaranjado)                                                  (verde)  
        
E o Zermano concluiu: “veja bem José, na ausência de etanol não ocorreria a reação, a cor no bafômetro permaneceria alaranjada, mas na presença de álcool etílico ocorre a reação e o bafômetro se torna em tons de verde”.  
Marcos, 05/07/2011.
PS. Nem eu nem o Napoleão tomamos pinga! 

20 julho 2011

Histórias do Juazeiro antigo
DR. Floro Bartolomeu da Costa foi um médico baiano, certamente aventureiro que chegou ao Cariri em 1909, a pretexto de conhecer e explorar as minas de cobre de Cocha, de propriedade do Padre Cícero no município de Aurora ainda aqui no Cariri, trazendo um agrimensor francês de nome Conde Van Den Brule, tão aventureiro quanto ele. Gostaram do ambiente, preencheram lacunas até então impreenchíveis no Juazeiro, deram-se bem e daqui só saíram com a morte. DR. Floro logo se tornou o mentor político do Padre Cícero falecendo como Deputado federal pelo Ceará. Era um homem forte, de másculas atitudes, certamente um mal necessário a Juazeiro daquele tempo. Qualquer falha grave ele gritava o seu quase carimbo: "levem pra rodagem", o que significava execução pura e simples, no trabalho da rodagem que se fazia para Crato. Tinha ele grande prestígio no governo federal, de tal forma que a minha tese é esta: DR. Floro era um olheiro das forças armadas para que Juazeiro não fosse um novo Canudos. Só assim se explica o trânsito livre nas altas esferas do poder central, a ponto de trazer dois mil fuzis ainda encaixotados para armar o grupo de Lampião, mostrando que a política tudo pode. Já o Conde aventureiro que o acompanhava tornou-se o agrimensor oficial do Padre Cícero.
Em 1926, o governo Artur Bernardes estava muito frágil e a ala jovem do exercito queria derrubá-lo, formando-se a Coluna Prestes que  a cavalo e a pé chegou até o Nordeste. O poder central encarregou o DR. Floro de barrar a marcha dos revoltosos no Cariri. DR. Floro argumentou que somente Lampião poderia fazê-lo, por saber técnicas de guerrilha. DR. Floro convidou Lampião a vir a Juazeiro incorporar-se aos Batalhões Patrióticos para barrar a Coluna Prestes. Fez convite a Lampião em nome do Padre Cícero, sabendo que todo sertanejo o tinha como santo. Era somente esse o relacionamento dos dois. Só se conheceram em 1926 aqui em Juazeiro.
  Napoleão Tavares Neves, 27/06/2011.
(Assinado em baixo)
Histórias do Juazeiro antigo
DR. Floro Bartolomeu da Costa foi um médico baiano, certamente aventureiro que chegou ao Cariri em 1909, a pretexto de conhecer e explorar as minas de cobre de Cocha, de propriedade do Padre Cícero no município de Aurora ainda aqui no Cariri, trazendo um agrimensor francês de nome Conde Van Den Brule, tão aventureiro quanto ele. Gostaram do ambiente, preencheram lacunas até então impreenchíveis no Juazeiro, deram-se bem e daqui só saíram com a morte. DR. Floro logo se tornou o mentor político do Padre Cícero falecendo como Deputado federal pelo Ceará. Era um homem forte, de másculas atitudes, certamente um mal necessário a Juazeiro daquele tempo. Qualquer falha grave ele gritava o seu quase carimbo: "levem pra rodagem", o que significava execução pura e simples, no trabalho da rodagem que se fazia para Crato. Tinha ele grande prestígio no governo federal, de tal forma que a minha tese é esta: DR. Floro era um olheiro das forças armadas para que Juazeiro não fosse um novo Canudos. Só assim se explica o trânsito livre nas altas esferas do poder central, a ponto de trazer dois mil fuzis ainda encaixotados para armar o grupo de Lampião, mostrando que a política tudo pode. Já o Conde aventureiro que o acompanhava tornou-se o agrimensor oficial do Padre Cícero.
Em 1926, o governo Artur Bernardes estava muito frágil e a ala jovem do exercito queria derrubá-lo, formando-se a Coluna Prestes que  a cavalo e a pé chegou até o Nordeste. O poder central encarregou o DR. Floro de barrar a marcha dos revoltosos no Cariri. DR. Floro argumentou que somente Lampião poderia fazê-lo, por saber técnicas de guerrilha. DR. Floro convidou Lampião a vir a Juazeiro incorporar-se aos Batalhões Patrióticos para barrar a Coluna Prestes. Fez convite a Lampião em nome do Padre Cícero, sabendo que todo sertanejo o tinha como santo. Era somente esse o relacionamento dos dois. Só se conheceram em 1926 aqui em Juazeiro.
  Napoleão Tavares Neves, 27/06/2011.
(Assinado em baixo)

18 julho 2011


PADRES E CICLISTAS


Haviam-lhe dito que todos os alunos teriam seu apartamento e, nele, uma bicicleta para uso individual e privativo. E ele acreditou. Um mês depois estava interno e os sonhos começavam a caminhar para a realidade: o da mãe, de ter um filho padre; o dele, de ter uma bicicleta egoisticamente sua, só sua. À noite, dormitório coletivo e, dia seguinte, nenhuma bicicleta. Rezas, missas, orações, estudos. Nos sábados jogava bola e depois da Ave-Maria e do café das seis e meia, tinha ao seu dispor uma mesa de pingue-pongue, até a hora de dormir. Num domingo, depois das rezas, missas, orações e estudos vibrou com o gol de Amarildo contra a Espanha, abrindo o caminho para o bi. Quase não deu para ouvir, mais ruídos que gritos de gol no radinho do salão de jogos. Alegria maior porque o bedel era espanhol. Nos corredores, apenas Padres e Seminaristas. Hoje, nos fins-de-semana, passeia de bicicleta com a mulher e os três filhos. Faltou-lhe vocação para o sacerdócio. Sobrou-lhe o amor pelo ciclismo.


PADRES E CICLISTAS


Haviam-lhe dito que todos os alunos teriam seu apartamento e, nele, uma bicicleta para uso individual e privativo. E ele acreditou. Um mês depois estava interno e os sonhos começavam a caminhar para a realidade: o da mãe, de ter um filho padre; o dele, de ter uma bicicleta egoisticamente sua, só sua. À noite, dormitório coletivo e, dia seguinte, nenhuma bicicleta. Rezas, missas, orações, estudos. Nos sábados jogava bola e depois da Ave-Maria e do café das seis e meia, tinha ao seu dispor uma mesa de pingue-pongue, até a hora de dormir. Num domingo, depois das rezas, missas, orações e estudos vibrou com o gol de Amarildo contra a Espanha, abrindo o caminho para o bi. Quase não deu para ouvir, mais ruídos que gritos de gol no radinho do salão de jogos. Alegria maior porque o bedel era espanhol. Nos corredores, apenas Padres e Seminaristas. Hoje, nos fins-de-semana, passeia de bicicleta com a mulher e os três filhos. Faltou-lhe vocação para o sacerdócio. Sobrou-lhe o amor pelo ciclismo.

15 julho 2011

Estórias de Seu Deusim e Outros

PEDIDO DE AJUDA.
 - Seu vigário me dê uma ajuda. Lá em casa a situação está muito ruim. Meu marido está acamado já faz mais de um ano e não temos dinheiro nem para a comida.
- Mas Senhora, se o seu marido está acamado há mais de um ano, como é que a senhora está grávida e com uma barriga tão grande?
- Ah! Isso aqui foi uma miorinha que ele teve.

Estórias de Seu Deusim e Outros

PEDIDO DE AJUDA.
 - Seu vigário me dê uma ajuda. Lá em casa a situação está muito ruim. Meu marido está acamado já faz mais de um ano e não temos dinheiro nem para a comida.
- Mas Senhora, se o seu marido está acamado há mais de um ano, como é que a senhora está grávida e com uma barriga tão grande?
- Ah! Isso aqui foi uma miorinha que ele teve.