Centenário de Nascimento Amadeu Carvalho Brito. (1911-2011)
Amadeu Carvalho Brito foi o quarto filho do casal Manoel Vieira de Brito (Britinho) e Maria de Carvalho Brito (Mariinha). Nasceu em Crato no dia 14 de Junho de 1911. Casou-se com Maria de Lourdes Jurumenha Brito e tiveram os filhos: Ronald, Altair, Edmilson e Maria Socorro.
Nosso pai, na sua simplicidade, apresentava uma individualidade marcante de altos predicados cívicos e morais, que merecem ter por nos, seus filhos, um exemplo digno de ser imitado. Pai presente, dedicado e marido amoroso.
Nosso entusiasmo avulta-se mais ainda, quando testemunhamos o reconhecimento dos juazeirenses pelo seu trabalho à frente da antiga autarquia do IAPC. Essa admiração ao cidadão Amadeu é tanto mais significativa quando sabemos que ele ofereceu, à época, às autoridades, sua colaboração espontânea. Foi ele que com denodo, valor e desinteresse, implantou parte da previdência na terra do Pe. Cícero e a ela emprestou sua colaboração decisiva.
Vale a pena citar aqui dois pequenos trechos do laudatório pronunciado pelo engenheiro e escritor Antonio Renato Soares Casimiro, quando da entrega da comenda “Memórias de Juazeiro” pela Associação dos Filhos e Afilhados de Juazeiro do Norte (AFAJ) aos familiares de Amadeu.
“... Deizando a vida do campo em 1950, Amadeu iniciou seu trabalho como correspondente do antigo IAPC – Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Comerciários. Ele, sozinho, era por assim dizer uma autarquia. Presenciei muitas vezes como ele carregava, rua acima, rua abaixo, aquela bolsa, a papelada de cobrança e de atenções para com os segurados da então previdência do comércio...”
“ ... Seu Amadeu era um homem manso e bom. Muito querido pelo seu vasto círculo de amizades, não só familiar, como do Cariri, principalmente, onde dedicou toda sua existência. Quem lê as obra de sue filho, Cel. José Ronald Brito, pode muito bem aquilatar a elevação do seu espírito. Ali não se lê vulgaridade, mas um bom humor, este sentido maior de bem estar com a vida, a família e os amigos, em busca deste lado alegre e divertido do viver. Amadeu Carvalho Brito não foi só um exímio e fértil contador de histórias do seu tempo. Ele foi estilo de homem que dignificou a própria razão de existir, de pensar, de sonhar e principalmente, de servir. Uma grande saudade que ficou para todos nós...”
Fortaleza, 14 de Junho de 2011.
José Ronald Brito.
Foi realizada missa no dia 09 deste mes, na Paróquia de Santa Luzia em Fortaleza, com a presença dos familiares e amigos.
10 junho 2011
Centenário de Nascimento Amadeu Carvalho Brito. (1911-2011)
Amadeu Carvalho Brito foi o quarto filho do casal Manoel Vieira de Brito (Britinho) e Maria de Carvalho Brito (Mariinha). Nasceu em Crato no dia 14 de Junho de 1911. Casou-se com Maria de Lourdes Jurumenha Brito e tiveram os filhos: Ronald, Altair, Edmilson e Maria Socorro.
Nosso pai, na sua simplicidade, apresentava uma individualidade marcante de altos predicados cívicos e morais, que merecem ter por nos, seus filhos, um exemplo digno de ser imitado. Pai presente, dedicado e marido amoroso.
Nosso entusiasmo avulta-se mais ainda, quando testemunhamos o reconhecimento dos juazeirenses pelo seu trabalho à frente da antiga autarquia do IAPC. Essa admiração ao cidadão Amadeu é tanto mais significativa quando sabemos que ele ofereceu, à época, às autoridades, sua colaboração espontânea. Foi ele que com denodo, valor e desinteresse, implantou parte da previdência na terra do Pe. Cícero e a ela emprestou sua colaboração decisiva.
Vale a pena citar aqui dois pequenos trechos do laudatório pronunciado pelo engenheiro e escritor Antonio Renato Soares Casimiro, quando da entrega da comenda “Memórias de Juazeiro” pela Associação dos Filhos e Afilhados de Juazeiro do Norte (AFAJ) aos familiares de Amadeu.
“... Deizando a vida do campo em 1950, Amadeu iniciou seu trabalho como correspondente do antigo IAPC – Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Comerciários. Ele, sozinho, era por assim dizer uma autarquia. Presenciei muitas vezes como ele carregava, rua acima, rua abaixo, aquela bolsa, a papelada de cobrança e de atenções para com os segurados da então previdência do comércio...”
“ ... Seu Amadeu era um homem manso e bom. Muito querido pelo seu vasto círculo de amizades, não só familiar, como do Cariri, principalmente, onde dedicou toda sua existência. Quem lê as obra de sue filho, Cel. José Ronald Brito, pode muito bem aquilatar a elevação do seu espírito. Ali não se lê vulgaridade, mas um bom humor, este sentido maior de bem estar com a vida, a família e os amigos, em busca deste lado alegre e divertido do viver. Amadeu Carvalho Brito não foi só um exímio e fértil contador de histórias do seu tempo. Ele foi estilo de homem que dignificou a própria razão de existir, de pensar, de sonhar e principalmente, de servir. Uma grande saudade que ficou para todos nós...”
Fortaleza, 14 de Junho de 2011.
José Ronald Brito.
Foi realizada missa no dia 09 deste mes, na Paróquia de Santa Luzia em Fortaleza, com a presença dos familiares e amigos.
Amadeu Carvalho Brito foi o quarto filho do casal Manoel Vieira de Brito (Britinho) e Maria de Carvalho Brito (Mariinha). Nasceu em Crato no dia 14 de Junho de 1911. Casou-se com Maria de Lourdes Jurumenha Brito e tiveram os filhos: Ronald, Altair, Edmilson e Maria Socorro.
Nosso pai, na sua simplicidade, apresentava uma individualidade marcante de altos predicados cívicos e morais, que merecem ter por nos, seus filhos, um exemplo digno de ser imitado. Pai presente, dedicado e marido amoroso.
Nosso entusiasmo avulta-se mais ainda, quando testemunhamos o reconhecimento dos juazeirenses pelo seu trabalho à frente da antiga autarquia do IAPC. Essa admiração ao cidadão Amadeu é tanto mais significativa quando sabemos que ele ofereceu, à época, às autoridades, sua colaboração espontânea. Foi ele que com denodo, valor e desinteresse, implantou parte da previdência na terra do Pe. Cícero e a ela emprestou sua colaboração decisiva.
Vale a pena citar aqui dois pequenos trechos do laudatório pronunciado pelo engenheiro e escritor Antonio Renato Soares Casimiro, quando da entrega da comenda “Memórias de Juazeiro” pela Associação dos Filhos e Afilhados de Juazeiro do Norte (AFAJ) aos familiares de Amadeu.
“... Deizando a vida do campo em 1950, Amadeu iniciou seu trabalho como correspondente do antigo IAPC – Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Comerciários. Ele, sozinho, era por assim dizer uma autarquia. Presenciei muitas vezes como ele carregava, rua acima, rua abaixo, aquela bolsa, a papelada de cobrança e de atenções para com os segurados da então previdência do comércio...”
“ ... Seu Amadeu era um homem manso e bom. Muito querido pelo seu vasto círculo de amizades, não só familiar, como do Cariri, principalmente, onde dedicou toda sua existência. Quem lê as obra de sue filho, Cel. José Ronald Brito, pode muito bem aquilatar a elevação do seu espírito. Ali não se lê vulgaridade, mas um bom humor, este sentido maior de bem estar com a vida, a família e os amigos, em busca deste lado alegre e divertido do viver. Amadeu Carvalho Brito não foi só um exímio e fértil contador de histórias do seu tempo. Ele foi estilo de homem que dignificou a própria razão de existir, de pensar, de sonhar e principalmente, de servir. Uma grande saudade que ficou para todos nós...”
Fortaleza, 14 de Junho de 2011.
José Ronald Brito.
Foi realizada missa no dia 09 deste mes, na Paróquia de Santa Luzia em Fortaleza, com a presença dos familiares e amigos.
09 junho 2011
SE TU QUISER
se tu quiser
eu invento um vento pra ventar o amor uma chuva bem chovida pra chover pé de fulô
descubro um jeito novo de te abraçar
te beijo com um beijo que ninguém nunca beijou
se tu quiser
basta me dizer que eu irei correndo
é só me avisar que tu tá me querendo
e o mundo vai saber o que é um grande amor
Xico Bizerra
eu invento um vento pra ventar o amor uma chuva bem chovida pra chover pé de fulô
se tu quiser
poemo um poema bem cheio de rima
acendo a estrela mais bonita la de cima
faço tudo que puder pra tu ficar mais eu
se tu quiser
eu crio um sentimento pra gente se amar descubro um jeito novo de te abraçar
te beijo com um beijo que ninguém nunca beijou
se tu quiser
basta me dizer que eu irei correndo
é só me avisar que tu tá me querendo
e o mundo vai saber o que é um grande amor
Xico Bizerra
SE TU QUISER
se tu quiser
eu invento um vento pra ventar o amor uma chuva bem chovida pra chover pé de fulô
descubro um jeito novo de te abraçar
te beijo com um beijo que ninguém nunca beijou
se tu quiser
basta me dizer que eu irei correndo
é só me avisar que tu tá me querendo
e o mundo vai saber o que é um grande amor
Xico Bizerra
eu invento um vento pra ventar o amor uma chuva bem chovida pra chover pé de fulô
se tu quiser
poemo um poema bem cheio de rima
acendo a estrela mais bonita la de cima
faço tudo que puder pra tu ficar mais eu
se tu quiser
eu crio um sentimento pra gente se amar descubro um jeito novo de te abraçar
te beijo com um beijo que ninguém nunca beijou
se tu quiser
basta me dizer que eu irei correndo
é só me avisar que tu tá me querendo
e o mundo vai saber o que é um grande amor
Xico Bizerra
01 junho 2011
Ti Mano (meu moreno, O Patriarca)
Os ensinamentos que o SR. me repassou, muitas vezes até sem querer, estão entre os mais importantes que recebi. Hoje no meu discurso de formatura, não poderia deixar de me referir a um deles, talvez o maior, sua marca registrada.
Peço licença para mensioná-lo.
Afinal, não poderia faltar a esses novos bacharéis a principal lição de um “ex-aluno”. “Um grande sábio me ensinou”...
“É mais ou menos por aí” ...
Um beijo da Morena enxerida- que agora exige respeito ( risos). Naiana
Obs.: em seu discurso, Naiana faz referência a todos os seus colegas de turma, sendo Evaldo citado no parágrafo acima um deles.
Os ensinamentos que o SR. me repassou, muitas vezes até sem querer, estão entre os mais importantes que recebi. Hoje no meu discurso de formatura, não poderia deixar de me referir a um deles, talvez o maior, sua marca registrada.
Peço licença para mensioná-lo.
Afinal, não poderia faltar a esses novos bacharéis a principal lição de um “ex-aluno”. “Um grande sábio me ensinou”...
“É mais ou menos por aí” ...
Um beijo da Morena enxerida- que agora exige respeito ( risos). Naiana
...Todavia, tenho percebido que, quanto mais conhecimento os profissionais têm adquirido, menos humilde eles têm ficado. Isto se dá porque, como um grande sábio me ensinou, existem três tipos diferentes de humildade. A humildade por necessidade, a humildade por ignorância, e a humildade por convicção. As dus primeiras só existem em circunstâncias adversas e, sumindo estas, a humildade igualmente desaparece. A humildade por convicção, por sua vez, como aquela que possui Edvaldo, quanto mais crescemos, mais nos deixa conscientes do quanto ainda somos pequenos e nada melhores do que os outros...
Recife, 22 de Dezembro de 2008. Obs.: em seu discurso, Naiana faz referência a todos os seus colegas de turma, sendo Evaldo citado no parágrafo acima um deles.
Ti Mano (meu moreno, O Patriarca)
Os ensinamentos que o SR. me repassou, muitas vezes até sem querer, estão entre os mais importantes que recebi. Hoje no meu discurso de formatura, não poderia deixar de me referir a um deles, talvez o maior, sua marca registrada.
Peço licença para mensioná-lo.
Afinal, não poderia faltar a esses novos bacharéis a principal lição de um “ex-aluno”. “Um grande sábio me ensinou”...
“É mais ou menos por aí” ...
Um beijo da Morena enxerida- que agora exige respeito ( risos). Naiana
Obs.: em seu discurso, Naiana faz referência a todos os seus colegas de turma, sendo Evaldo citado no parágrafo acima um deles.
Os ensinamentos que o SR. me repassou, muitas vezes até sem querer, estão entre os mais importantes que recebi. Hoje no meu discurso de formatura, não poderia deixar de me referir a um deles, talvez o maior, sua marca registrada.
Peço licença para mensioná-lo.
Afinal, não poderia faltar a esses novos bacharéis a principal lição de um “ex-aluno”. “Um grande sábio me ensinou”...
“É mais ou menos por aí” ...
Um beijo da Morena enxerida- que agora exige respeito ( risos). Naiana
...Todavia, tenho percebido que, quanto mais conhecimento os profissionais têm adquirido, menos humilde eles têm ficado. Isto se dá porque, como um grande sábio me ensinou, existem três tipos diferentes de humildade. A humildade por necessidade, a humildade por ignorância, e a humildade por convicção. As dus primeiras só existem em circunstâncias adversas e, sumindo estas, a humildade igualmente desaparece. A humildade por convicção, por sua vez, como aquela que possui Edvaldo, quanto mais crescemos, mais nos deixa conscientes do quanto ainda somos pequenos e nada melhores do que os outros...
Recife, 22 de Dezembro de 2008. Obs.: em seu discurso, Naiana faz referência a todos os seus colegas de turma, sendo Evaldo citado no parágrafo acima um deles.
31 maio 2011
UMA HISTÓRIA DE “EX-ALUNO”
É isso mesmo, um ex-aluno. Na realidade eu sou ex-(um bocado de coisas), mas tenho boas e importantes razões para me apresentar como um ex-aluno.
Em primeiro lugar porque foi a maior autoridade que eu consegui ser. Aliás, uma autoridade tão grande que, depois disso, estou descendo até hoje, e ainda não consegui zerar.Segundo porque as minhas pretenções anteriores eram bem mais modestas. Considerando o aperto financeiro familiar, consegui, aos 15 anos, uma promessa de emprego de balconista numa loja de tecidos do interior.
Meu Pai sugeriu que eu continuasse estudando. Aliás, Ele era uma pessoa tão boa que sempre preferia sugerir; evitava decidir por nós. Guardava sempre consigo a esperança de que entendêssemos a grandeza de suas sugestões.
Concordamos que eu faria exame para a Escola Preparatória de Cadetes de Fortaleza (EPF). Na realidade nem Ele, nem eu, sabíamos muito bem de que se tratava, mas como a procura era muito grande, devia ser bom. Nessa época, tanto Ele como eu, éramos pessoas humildes por natureza, e também por necessidade.
O salto foi muito grande, ja pensaram? De pretendente a balconista a aluno da EPF? Uma tremenda mudança de “status”, apesar do trote e da alcunha de “animal”.
Lembro-me muito bem do Juramento à Bandeira/ Noite de São Bartolomeu. Pela bela festa que tivemos, e também, pelo fim do período de trotes. Entrei no Náutico com u’a madrinha muito bonita, cheio de saúde e de “importância”, apesar de liso. Nessa noite eu conclui que aluno era quase um rei, mais ou menos por aí.O segundo e terceiro anos foram de intensa realização: um bom curso, muita saude, bons amigos e bonitas namoradas. Continuei sendo quase um rei, mais ou menos por ai.
Encheram um avião de “aratacas” em direção ao Rio de Janeiro, e la fui eu em minha primeira viagem de avião.
Na AMAN descobri logo que cadete era menos do que aluno. Assim sendo, ja tinha começado a descer. Foi ai que eu descobri que manobra e ordem unida não eram o meu forte. Nossa manobra do fim do básico foi tão desastrosa que passei muito tempo sem entender porque não tinha terminado todo mundo preso.
Não fiquei preso, mas continuei na AMAN durante o período de férias. Era uma formatura de meia dúzia de cadetes na imensidão do pátio Tenente Moura.
“Não tenho dinheiro para a passagem” , foi o que eu disse para o Ajudante de Ordem que, por sua vez, informou ao General que, por sua vez, fez um bilhete para o Brigadeiro que, por sua vez, me arranjou uma vaga num avião do CAN.
Peguei uma carona de caminhão no trecho Resende-Rio e um ônibus urbano para a Ilha do Governador – único trecho pago na viagem. Passei a noite sentado e fardado no Galeão ouvindo chamar os vôos para Londres, New York, Paris. Finalmente, lá pelas 06:30H da manhã, chamaram o meu: Vitória, Caravelas, Ilhéus, Xique-xique, Bom Jesus da Lapa, Petrolina, Juazeiro do Norte.... Foi ai que eu peguei o boné e desci. Consegui outra carona para o Crato – Capital do Mundo.
Nos três anos de Resende, não passei frio porquê, além da farda, sempre contei com a boa vontade, e os agasalhos dos colegas, principalmente Granato e Miranda.
Escolhemos a pior época para terminar – Dezembro de 1963. Eu, particularmente, além da época, errei o lugar, fiquei no Rio de Janeiro, ou melhor, na Vila Militar. Cheguei em Fevereiro, entrei de prontidão, saí no fim do ano, a prontidão continuava. Onde se parava, dormia-se. “Tirei uma tremenda tora” no Maracanã, tentando assistir Santos X Flamengo; acordava a cada gol.
Fiquei 12 anos porque gostei da área que escolhi – Comunicações, onde permaneço até hoje. Fiz alguns cursos na área, inclusive um nos “States”, onde estudei bastante, tentando fazer bonito. Na volta, não houve interesse pelo resultado, que só os mais próximos souberam.
Aproveitei as horas vagas para arranjar uma namorada Húngara. Ao final do curso, Ela se livrou de mim, e eu d’Ela.
Em Março de 1970, o Exército perdia um de seus filhos menos ilustres. Deixei o E.B., mas continuei na área; entrei na Embratel, onde a tecnologia é fundamental. Ali, e por essa razão, fiz vários cursos, inclusive um no Japão onde tive que fazer um tremendo esforço para arrancar, em doses homeopáticas, um pouco do muito que o Japonês sabia.
Praticamente Top-ei, ou seja, cheguei ao topo. Não da hierarquia, nem muito menos do conhecimento, mas da minha resistência.
As coisas mudaram tanto que eu me sinto, novamente, bem próximo da origem, e continuo descendo. Já não sou humilde por necessidade, sou humilde por convicção. Tenho apenas saudades do tempo em que era aluno – quase um Rei, mais ou menos por aí.
José Hermano Bezerra de Brito.
UMA HISTÓRIA DE “EX-ALUNO”
É isso mesmo, um ex-aluno. Na realidade eu sou ex-(um bocado de coisas), mas tenho boas e importantes razões para me apresentar como um ex-aluno.
Em primeiro lugar porque foi a maior autoridade que eu consegui ser. Aliás, uma autoridade tão grande que, depois disso, estou descendo até hoje, e ainda não consegui zerar.Segundo porque as minhas pretenções anteriores eram bem mais modestas. Considerando o aperto financeiro familiar, consegui, aos 15 anos, uma promessa de emprego de balconista numa loja de tecidos do interior.
Meu Pai sugeriu que eu continuasse estudando. Aliás, Ele era uma pessoa tão boa que sempre preferia sugerir; evitava decidir por nós. Guardava sempre consigo a esperança de que entendêssemos a grandeza de suas sugestões.
Concordamos que eu faria exame para a Escola Preparatória de Cadetes de Fortaleza (EPF). Na realidade nem Ele, nem eu, sabíamos muito bem de que se tratava, mas como a procura era muito grande, devia ser bom. Nessa época, tanto Ele como eu, éramos pessoas humildes por natureza, e também por necessidade.
O salto foi muito grande, ja pensaram? De pretendente a balconista a aluno da EPF? Uma tremenda mudança de “status”, apesar do trote e da alcunha de “animal”.
Lembro-me muito bem do Juramento à Bandeira/ Noite de São Bartolomeu. Pela bela festa que tivemos, e também, pelo fim do período de trotes. Entrei no Náutico com u’a madrinha muito bonita, cheio de saúde e de “importância”, apesar de liso. Nessa noite eu conclui que aluno era quase um rei, mais ou menos por aí.O segundo e terceiro anos foram de intensa realização: um bom curso, muita saude, bons amigos e bonitas namoradas. Continuei sendo quase um rei, mais ou menos por ai.
Encheram um avião de “aratacas” em direção ao Rio de Janeiro, e la fui eu em minha primeira viagem de avião.
Na AMAN descobri logo que cadete era menos do que aluno. Assim sendo, ja tinha começado a descer. Foi ai que eu descobri que manobra e ordem unida não eram o meu forte. Nossa manobra do fim do básico foi tão desastrosa que passei muito tempo sem entender porque não tinha terminado todo mundo preso.
Não fiquei preso, mas continuei na AMAN durante o período de férias. Era uma formatura de meia dúzia de cadetes na imensidão do pátio Tenente Moura.
“Não tenho dinheiro para a passagem” , foi o que eu disse para o Ajudante de Ordem que, por sua vez, informou ao General que, por sua vez, fez um bilhete para o Brigadeiro que, por sua vez, me arranjou uma vaga num avião do CAN.
Peguei uma carona de caminhão no trecho Resende-Rio e um ônibus urbano para a Ilha do Governador – único trecho pago na viagem. Passei a noite sentado e fardado no Galeão ouvindo chamar os vôos para Londres, New York, Paris. Finalmente, lá pelas 06:30H da manhã, chamaram o meu: Vitória, Caravelas, Ilhéus, Xique-xique, Bom Jesus da Lapa, Petrolina, Juazeiro do Norte.... Foi ai que eu peguei o boné e desci. Consegui outra carona para o Crato – Capital do Mundo.
Nos três anos de Resende, não passei frio porquê, além da farda, sempre contei com a boa vontade, e os agasalhos dos colegas, principalmente Granato e Miranda.
Escolhemos a pior época para terminar – Dezembro de 1963. Eu, particularmente, além da época, errei o lugar, fiquei no Rio de Janeiro, ou melhor, na Vila Militar. Cheguei em Fevereiro, entrei de prontidão, saí no fim do ano, a prontidão continuava. Onde se parava, dormia-se. “Tirei uma tremenda tora” no Maracanã, tentando assistir Santos X Flamengo; acordava a cada gol.
Fiquei 12 anos porque gostei da área que escolhi – Comunicações, onde permaneço até hoje. Fiz alguns cursos na área, inclusive um nos “States”, onde estudei bastante, tentando fazer bonito. Na volta, não houve interesse pelo resultado, que só os mais próximos souberam.
Aproveitei as horas vagas para arranjar uma namorada Húngara. Ao final do curso, Ela se livrou de mim, e eu d’Ela.
Em Março de 1970, o Exército perdia um de seus filhos menos ilustres. Deixei o E.B., mas continuei na área; entrei na Embratel, onde a tecnologia é fundamental. Ali, e por essa razão, fiz vários cursos, inclusive um no Japão onde tive que fazer um tremendo esforço para arrancar, em doses homeopáticas, um pouco do muito que o Japonês sabia.
Praticamente Top-ei, ou seja, cheguei ao topo. Não da hierarquia, nem muito menos do conhecimento, mas da minha resistência.
As coisas mudaram tanto que eu me sinto, novamente, bem próximo da origem, e continuo descendo. Já não sou humilde por necessidade, sou humilde por convicção. Tenho apenas saudades do tempo em que era aluno – quase um Rei, mais ou menos por aí.
José Hermano Bezerra de Brito.
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